Mas o Estado é uma entidade abstrata de que todos somos parte. Invariavelmente mal gerido por pessoas como nós, que nós elegemos para o dirigir. O que significa que a culpa é nossa porque votámos em incompetentes, votamos em incompetentes e seguramente votaremos de novo em incompetentes. Se o sistema o permite, o sistema está errado e deve pertencer à cadeia de que fala o doutor Dias da Cunha. Então é preciso reformá-lo para que o Estado melhore. Para que seja melhor proprietário, melhor senhorio, melhor inquilino, melhor aluno. E sobretudo melhor gestor para que não gaste em inúteis campos de futebol e poupe em meios de prevenção de incêndios.


A 30 de Julho de 1950, na sua casa da Rua da Alegria, na cidade do Porto, morreu Guilhermina Suggia. Depois de uma intervenção cirúrgica, em Londres, tinha regressado ao Porto, para morrer, duas semanas antes. O seu funeral saiu de sua casa, a 1 de Agosto, para o cemitério de Agramonte, depois da missa de corpo presente na Igreja da Lapa. Tinha 65 anos e nascera no Porto embora o seu prestígio artístico tivesse sido adquirido essencialmente nos salões londrinos.
Não quero deixar em claro o trabalho exemplar e a devoção que a Guilhermina Suggia têm devotado Vírgilio Marques e Catarina Campos. Tanto mais que, diariamente, passo em frente ao número 665 da Rua da Alegria pelo menos duas vezes. Para verificar que a casa alberga, nesta altura e nas traseiras, uma oficina de motociclos. Depois de ter sido pouso de uma central sindical, paraíso para ratos e esperança especulativa de qualquer construtor civil. Curiosamente vem sendo sujeita, de há uma ou duas semanas para cá, a uma maquilhagem apressada, sem cuidados, com o efeito imediato de um disfarce nada conseguido. Discos de esmeril fizeram por branquer-lhe o granito da frontaria, borraram-lhe as paredes com um rosa-pantera e aplicaram-lhe nas caixilharias de madeira uma qualquer coisa que pudesse assemelhar-se a verniz.
Nada de resto e para além disso pessoalmente me espanta. A vida e o tempo, infelizmente, habituaram-me a descrer das instituições e das pessoas que ciclicamente as dirigem. O Porto e a sua Câmara Municipal ignoram Suggia, como ignoram tantas coisas e tanta gente que não merecem o esquecimento. Deu-se-lhe o nome a uma rua que, por ironia, não fica a mais de 500 metros da casa que foi sua, onde viveu e onde morreu. E de cuja curta descrição toponímica, para o muito pouco que sei, constam algumas evitáveis incorrecções.
Li a notícia com a naturalidade europeísta de quem sabe que, em Portugal, posição idêntica pode ser facilmente assumida por qualquer pessoa, do presidente da república ao comandante dos bombeiros de um qualquer concelho que arde todos os anos, por esta altura. O segredo bancário em Portugal não é notícia, até porque não afecta as contas sediadas em seguros e discretos "offshores", para onde nem sequer há voos regulares ou correio directo. Tão pouco o enriquecimento aparentemente sem causa. Em Portugal apenas se enriquece de uma maneira: com os ganhos da especulação bolsista. As cotações da bolsa sobem, ganha-se. Descem? Ganha-se na mesma. Não se mexem, nem para cima nem para baixo? Ainda assim se ganha. Com a certeza de que os ganhos conduzem ao enriquecimento inevitável, quase sempre acidental, quantas vezes até indesejado. Nada se pode fazer para contrariar os insondáveis caprichos do destino. E o destino, como se sabe, marca a hora. A lista dos milionários que a bolsa produz cresce de ano para ano. Até mais do que aquela que vai crescendo com a crise da indústria textil do vale do Ave onde os prejuízos continuam a ser investidos em moradias de luxo, em automóveis de topo de gama e em namoradas de países de leste. Por isso os industriais reclamam contra a insuficiência das ajudas do Estado, berram pela alteração imediata das incompreensíveis leis laborais e esperam pelo aumento da produtividade. O ministro promete satisfazer-lhes a vontade e dar seguimento às suas justas reinvindicações.
A questão do segredo bancário só realmente pode ser notícia do peru e, a sua quebra, porventura consequência de perua ainda em fase de ressaca. Ou no Peru, país distante, quase com nome de galinha, latino-americano, que apenas se sabe ficar em casa do diabo mais velho, terceiro-mundista e, portanto, perfeitamente desprezível.
O PSD local ficou indignado pelo facto do autarca ter aparecido ao lado dos socialistas numa acção de carácter estritamente partidária e apresentou queixa ao conselho de jurisdição nacional dos Autarcas Sociais Democratas, ASD.
A presença insólita do autarca é de estranhar e repudiar, refere um comunicado da comissão política concelhia, sublinhando que o PSD de Proença-a-Nova não pode pactuar com indecisões, traições ou qualquer acção que ponha em causa os valores da social-democracia e do PSD no concelho de Proença-a-Nova e que todos os militantes, autarcas e eleitos do partido devem defender em todos os momentos e circunstâncias o partido.
Por mim, sou franco! Desde que assinei a proposta para sócio do Boavista nunca mais ninguém me ouviu falar do seu presidente nem tão pouco do seu pai ou das funções que ambos desempenham. E toda a gente sabe como isso é difícil! E mais! Cortei de todo com alguns amigos e muito mais conhecidos que militam ou simplesmente torcem pelo inimigo. Seja ele o FCP, o Salgueiros ou os Passarinhos da Ribeira. Esqueci de todo alguns passeios de Verão que até tínhamos feito em conjunto, queimei as fotografias que os recordavam e estabeleci um novo itinerário diário para evitar passar à porta de qualquer deles. Ponham lá os da VCI um boneco de um dragão à porta, de metal ou de pedra, que em segredo sou voluntário para lá ir de noite a pintá-lo aos quadradinhos brancos e pretos. Há-de ficar bonito o bicharoco, muito mais bonito do que os sacanas puseram a felina e gloriosa pantera à entrada do Bessa.
Tudo isto sem contemplações e sem a mínima cedência. Os traidores não se expulsam que isso queriam eles para voltar a casa, calçar as pantufas e aninharem-se ao borralho. Não! Os traidores fuzilam-se em público, no largo da vila, para exemplo!

Por ironia, sem moções de confiança e sem reservatórios onde os helicópteros possam reabastecer-se de água, com a benção do Estado, o país comemora o Dia Nacional da Conservação da Natureza. Fá-lo enquanto, como há anos, a paisagem arde de norte a sul. Por entre as cinzas que escorrem da Serra da Arrábida para o mar e as labaredas que lambem o cocuruto dos pinheiros no Parque Nacional da Peneda-Gerês o ministro mantém-se politicamente ausente. Segundo afiançam está preso a Lisboa na procura de instalações dignas para o gabinete e, já agora, prevenindo as vertigens que sempre lhe deram as viagens de helicóptero e salvaguardando o verniz espelhado dos sapatos.
Não temos, nenhum de nós, razões racionais para apregoarmos sociedades ditas da ambudância e reclamarmos como vértices do desenvolvimento humano aquilo a que chamamos sociedades de consumo. Enquanto acontecerem tragédias com a de Darfur não há sociedades de abundância nem de consumo. Assim houvesse uma vergonha colectiva que nos responsabilizasse a todos. E pudesse impôr que estas situações não ocorressem e fossem definitivamente expurgadas.
É pena, é lamentável que muitas vezes as tragédias passem ao lado da atenção que concentramos em assuntos mais directamente relacionados connosco e mais próximos de nós. É nesse aspecto de todo louvável a mensagem que o Nuno dirigiu a um leque relativamente alargado de bloggers. Do mesmo modo pudesse a atitude de cada um de nós contribuir para a divulgação do drama e, indirectamente, para a respectiva resolução. África é, por ironia do destino e capricho ambioso dos homens, um continente mártir. Onde, mais do que em qualquer outro lado, os índices de mortalidade infantil são escandalosos, a esperança matemática de vida é um cálculo que se resume à utilização dos dedos das mãos e a fome - no sentido em que representa a insuficiência de calorias indispensáveis para manter a vida - é a perspectiva com que amanhecem milhares de crianças e adultos.
O seu quotidiano é caótico. Divide-o entre a política, os negócios e o ensino - só começando a trabalhar depois das 11h00 da manhã - e as noites tempestuosas nas discotecas de Lisboa e do Algarve. Participa num cruzeiro pelo Mediterrâneo, surgindo nas fotografias das revistas cor-de-rosa com um colorido lenço em volta da cabeça, à maneira de um pirata. Apaixona-se por uma jovem cujo pai ameaça dar-lhe um tiro de caçadeira. As zangas e reconciliações com Cinha Jardim são cíclicas e passam a integrar a liturgia das crónicas mundanas nacionais.
Um político africano que o teve como professor na Faculdade de Direito de Lisboa, não resiste à comparação com Marcelo Rebelo de Sousa: Marcelo é sabedor, estudioso, brilhante. Santana nem preparava os pontos que nos marcava. Não compreendo a direita portuguesa - entre o génio e o preguiçoso, prefere o preguiçoso.
Fora da política, as experiências redundavam em fracasso, como a presidência do Sporting, direcção da qual saiu corrido e acusado de despesismo e ineficácia; ou a sua passagem meteórica pela Amostra, departamento de sondagens da Universidade Moderna... A sua presença na comunicação social torna-se obsessiva, desde jornais até televisões... Chega ao ponto de caricaturar o próprio desejo quando participa no programa A Cadeira do Poder, da SIC, onde perde o lugar de primeiro ministro virtual para José Manuel Torres Couto e o apresentador, Artur Albarran, lhe entrega um cheque em directo.
Em Dezembro de 2001 ganha a presidência da Câmara de Lisboa. Prometeu tudo a toda a gente: o túnel no Marquês de Pombal que permite a entrada de mais automóveis em Lisboa; o fecho das faixas laterais da Avenida da Liberdade, enquanto toda a via não pudesse ser encerrada ao trânsito; tornar o transporte público fashionable, proibição de automóveis em certos bairros históricos, mas parques de estacionamento por todo o lado; hotéis de charme e esplanadas no Terreiro do Paço; recuperação do Parque Mayer, com regeneração da revista à portuguesa; liberdade para a iniciativa privada, mas ameaça de expropriação aos proprietários que tardassem na rcuperação dos seus prédios; casas para jovens no centro da cidade e regresso em quatro anos de 200 mil pessoas que haviam abandonado a capital; piscinas, pavilhões desportivos e jardins em todas as freguesias; e, cereja em cima do bolo para alegrar até a extrema esquerda, a possibilidade de salas de chuto. Que resta hoje destas promessas?
Depois disto apenas se não compreende como Miguel Sousa Tavares, depois do Tabagismo e do FCPortismo, adquiriu outro vício extremado: o Anti-Santanismo. Afirma, com total desplante, que «Santana tornou-se possível essencialmente por culpa nossa, dos jornalistas, entre os quais directamente me incluo. Sempre lhe desculpámos o vazio ...». Ora isto é absolutamente falso: todos os jornalistas dos jornais de opinião sempre embirraram com Santana Lopes, sempre o abominaram, sempre zombaram dele como vítima da exclusão cultural.
Por muito que isso nos custe, desacreditamos de todo: este país é uma merda. A última tragédia nacional foi o resultado da bola contra a Grécia!
Tivesse o teu país sabido merecer-te e ninguém daria pelo facto de hoje, compacta e insistentemente, apenas se falar de ti e se ouvir aquele conjunto de sons impossíveis que só tu conseguias arrancar ao conjunto de doze cordas tensas. Enquanto tu, discreto, pelo fim da madrugada, seguias tranquilamente o teu caminho, carregando a guitarra às costas, caminhando lento e desengonçado, o sorriso mordaz encovado no fundo dos olhos tristes e inquietos. Hoje não acabou nada porque, como na química, nada se perde e tudo se transforma. Não é tempo de despedidas nem de invocações. Nada mudou! No pino do Verão Lisboa espera uma temperatura máxima de 34 graus centígrados. Deixa-nos com tudo o que foste e com tudo o que és. Como sempre, não são necessárias as palavras que sempre te embargaram a voz. Tão só te basta a agilidade dos dedos e o turbilhão de ideias com que, estarrecidos, nos quedamos a ouvir-te. Para sempre!
Em plena cidade baixa, em frente ao edifício do Jornal de Notícias. Instalações onde funcionou o grupo de teatro Os Modestos do Porto. À atenção da Dra Teresa Caeiro, digna secretária de Estado das Artes e do Espectáculo. A rapaziada contenta-se com pouco. Acha é que o país deve preservar as suas instituições e as construções que as acolheram. Isto não é um pedido de subsídio. É a oportunidade que se lhe oferece de começar o grande trabalho a que se referia antes da sua tomada de posse o presidente do seu partido. Cujo nome, por lamentável lapso de memória, me não ocorre.
Isto no caso de nada se ter alterado e de V. Exa., continuando a ser filha e neta de militares, não ter sido de novo remetida para a Defesa nacional. A bem da moral das tropas e da definitiva reconquista de Olivença aos castelhanos.

Ontem, em Viana do Castelo - havemos de ir a Viana ó meu amor de algum dia! -, confortado na sua condição de ministro de Estado, da Defesa nacional e dos Assuntos do mar, Paulo Portas ajeitava-se no seu fato de riscas enquanto encomendava barcos. Num lapso revia a trapalhada do Dr Guedes, ministro do Ambiente, que acha que o ministério não serve para nada e que, assim sendo, nada o impede de desempenhar o cargo em part-time. Excepção aberta, a pedido, para o ordenado, as verbas adicionais e as mordomias que aceita receber por inteiro. De preferência sem recibo, sem que o facto seja divulgado, para que não possa chegar ao conhecimento do amigo das finanças e do tesoureiro do Benfica.
Matutava nas contingências da vida, no que penara para chegar onde chegou. No tirocínio que fizera percorrendo feiras e mercados, incluindo as bancas de peixe e os locais de venda de animais vivos. No muito que tivera que estudar para colmatar algumas falhas de formação no aspecto militar tanto mais que, na mocidade portuguesa, nunca desajeitadamente fora além de chefe de quina. Mas valera a pena - tudo vale a pena se a alma não é pequena! - porque hoje dispunha das tropas, exonerava-lhes os chefes e indicava uma secretária de Estado adjunta e para os ex-Combatentes.
Anunciou-o depois, orgulhoso, com a vaidade contida num dos bolsos de dentro do casaco. Era um acto histórico em tantos anos. Nem D Afonso Henriques, o Condestável ou mesmo o frouxo D Sebastião tinham tido a ideia, quanto mais a ousadia. A selecção fora complexa, a publicar anúncios, recolher respostas e analisar currículos. Mas lá conseguira encontrar uma mulher, filha e neta de militares. O que fora difícil porque os militares, como se sabe, quase sempre preferem e optam por fazer filhos varões, relegando as mulheres, quando lhes caiem em sorte, para as lides domésticas, os chás-canasta e, mais recentemente, para a medicina. Enquanto o bastonário da respectiva Ordem lhes não vetar o acesso e as remeter, de regresso, à nobre missão de ter filhos e prepará-los para a conversão dos comunistas e a divulgação do terceiro segredo de Fátima.
A decisão, por palavras próprias, revelava visão e modernidade. Visão acrescida para quem, como ele, nem sequer se socorria de óculos, tão pouco frequentava a consulta do oftalmologista de família. Modernidade porque os tempos que correm lhe são favoráveis, a par de outras modernices mais esquisitas que não vale a pena enunciar. E assim começava a cronologia, em regime de contra-relógio, como nas bicicletas!
16:17
É divulgada a lista oficial dos secretários de Estado. Teresa Caeiro vem designada como Secretária de Estado Adjunta e dos Antigos Combatentes.
16:36
O ministro da Defesa, Paulo Portas, faz declarações em Viana do Castelo, sobre Teresa Caeiro. É a primeira vez que uma mulher exerce um cargo governativo no sector da Defesa, sublinhou Portas, acrescentando que Teresa Caeiro tem experiência governativa e é filha e neta de militares.
18:00
Hora marcada para a tomada de posse dos secretários de Estado. A cerimónia não arranca nessa hora.
18:28
Em plena espera para a cerimónia de tomada de posse no Palácio da Ajuda, é divulgada a notícia de que Teresa Caeiro passa da Defesa para a Cultura e será a nova secretária de Estado das Artes e Espectáculos. Paulo Portas explica que houve um "acerto final". Teresa Caeiro revelou-se mais necessária na Cultura do que na Defesa, justifica o ministro.
18:36
Nova lista oficial dos secretários de Estado, já com Teresa Caeiro como secretária de Estado das Artes e Espectáculos.
18:55
Começa a cerimónia da tomada de posse, com 55 minutos de atraso, devido à mudança de Teresa Caeiro da Defesa para a Cultura. Foi necessário alterar o auto de posse.
Depois a forma como os ministérios foram arrumados e as modernas designações que lhes foram atribuídas. Desde logo, por exemplo, o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território para que foi nomeado o Dr Luís Nobre Guedes, amigo próximo e incondicional do titular dos assuntos do mar, correlegionário do Dr Paulo Portas e destacado militante do CDS, também conhecido por PP. Ao que consta, todavia, o Dr Guedes não é ministro, é presidente de uma comissão liquidatária porque ele próprio, em tempos, teria advogado a extinção daquela pasta. Sendo assim vai seguir-se, sem concurso público e por ajuste directo, a venda ao desbarato e eventualmente por lotes das tralhas sem préstimo que de há tempos vêm sendo acunuladas pelos serviços. Provavelmente alguns dos proveitos daí resultantes aparecerão, no futuro, em tranquilas contas bancárias abertas na Suiça, em nome de um discreto e bem sucedido motorista de táxi.
Agora vêm Os Verdes que, como a alface e o agrião, são quem está mais próximo do ambiente, contestar a nomeação e invocar a incompatibilidade do cargo atribuído ao Dr Guedes com os cargos que desempenha ou desempenhou e com o rol de clientes de que o seu escritório de advogado cobra honorários. O ministro, à maneira democrática que professa, recusa comentar. Nunca foi de dar confiança a vermelhos, quanto mais a verdes. A única cor que tolera, de longe e de sempre, é o azul. E, mesmo assim, sempre entendeu que as listas brancas estavam a mais. Então ser presidente da assembleia geral de duas sociedades tem alguma importância? Prestar serviços à sociedade das reciclagens - por ironia designada por Ponto Verde - merece algum reparo? Naturalmente que não e que, como dantes, quartel general em Abrantes e está tudo bem.
Numa tarde quieta e quente de Julho como a de hoje. Por entre batelões descendo o rio, motos de água cedendo aos caprichos de jovens marinheiros de água doce e barcos rabelos transportando turistas com o auxílio poluente dos motores. Para o resto, o Douro morreu. A faina fluvial é agora outra. O vinho não desce rio abaixo ao encontro de Vila Nova de Gaia para se crismar em vinho do Porto. Não há cargueiros que subam, transbordando de cereais, para acostarem ao cais das moagens Harmonia. Tão pouco que vindos do mar vençam o Cabedelo e venham de entranhas prontas para o cimento da Secil.
A globalização chega a tudo. Onde ainda não chegou, ameaça. Prudentemente as instituições e as pessoas previnem-se. Acautelam-se. Tomam previdências. Os serviços públicos criam novas direcções, recrutam directores e subdirectores no exterior. De forma expedita, sem concurso. Seleccionam os melhores, os que têm cartão e sabem de cor e salteado a salve rainha que interessa. A pretexto da globalização o país vive em pânico. O cidadão comum não sabe o que isso é, mas sabe que não é bom. Os idosos convencem-se de que ela os fará morrer mais cedo.
As obras que nunca acabam deixaram de ser monopólio de Santa Engrácia. Têm hoje, no que respeita a Lisboa, a concorrência feroz do túnel do Terreiro do Paço. Pelo menos. Que começou a ser escavado em 1994, mesmo sem autorização da tutela, para poupar tempo e dinheiro. Como no Centro Cultural de Belém, na Expo 98, na Ponte Vasco da Gama na Casa da Música. Passados cinco anos nem o governo acreditava que pudesse estar pronto em 2002 e custar os 24 milhões de contos inicialmente previstos. Seria uma ignomínia. Desde início que houve dúvidas sobre o local por onde o tunel deveria passar, devido à conhecida fragilidade do solo. Em 1999 o advogado José Sá Fernandes atrapalhou-lhe a marcha, embora por pouco tempo. O progresso não pode parar, o futuro nunca espera pelos retardatários.
À semelhança de quem o concebeu e o pôs em marcha, a 9 de Junho de 2000 o túnel começou a meter água, a terra abateu e o solo continuou a afundar-se lentamente. Decidiu-se inundá-lo de vez. Um ministro da época atribuiu a culpa ao excesso de confiança, a modos da selecção antes do jogo contra a Grécia. Avesso ao celibato anunciou que a culpa teria noivo e acabaria casada. Foram-se fazendo acusações, aos árbitros, às mulheres, aos progenitores e aos filhos. Prometia-se o fim das obras para 2003. Em Julho de 2004 um miúdo que ainda aprende a tabuada e sabe subtrair conclui que passaram dez anos. João Soares só se apercebera de uma diferença de menos de um milhar de votos. A culpa ia ficando irreversivelmente para tia. Desflorada e violada vezes sem conta, nenhum malandro a levava ao altar. Faziam-lhe filhos e não assumiam a paternidada.
Arrojado, o ainda ministro das obras públicas admitiu em Dezembro passado que havia alguns atrasos. Com coragem, arriscando imagem, funções e presença na televisão do Estado. Agora vai-se embora para ser presidente de uma coisa para que não foi eleito, o que está na moda. O Dr Sampaio dá-lhe uma oportunidade mas todas as tardes apontará de Belém o seu óculo de longo alcance, a ver se as pessoas ainda atravessam o estaleiro do Terreiro do Paço. Em 2005 a obra deve estar concluída. A menos que o rio seque de todo. Sempre ajudaria a ganhar alguns meses na cerimónia do corte da fita.
Ontem, ao ouvir o ainda ministro da agricultura, lembrei-me deste meu amigo, da respectiva mulher e daquilo que me dizia. Por linear analogia. Mais ou menos o ainda ministro da agricultura dizia a repórteres que o questionavam que não estava disponível para eventualmente participar no novo governo. Não, não tinha nada contra o indigitado primeiro-ministro, proclamado da varanda do município, como se a data fosse o 5 de Outubro. Tão pouco contra o desertor, que já se não sabe se ainda é ou se já não é, cuja imagem vai chegando até nós exercitando línguas estrangeiras e sorrisos pepsodent. Nem sequer nenhum receio da reforçada fiscalização que se adivinha por parte dos fiscais da Emel, do universo dos revisores de contas e do inquilino de Belém. Não se manifestava disponível apenas por cansaço, ao fim de dois anos e meio de pesados trabalhos no exercício de funções.
Tem razão o ministro e, antes que se veja coagido a consultar psiquiatras, ingerir ansiolíticos e ser estreitamente acompanhado por uma equipa de psicólogos, é melhor que se recolha a um isolado monte alentejano, proteja a moleirinha do sol do meio dia e repouse tanto quanto puder, seguindo um regime alimentar ligeiro e saudável. Porque de facto é preciso muito e árduo trabalho para manter inoperante, inútil e inexistente um ministério monstro que dá pelo nome de MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS.
A prová-lo fica o trabalho deste maduro - sem nenhuma intenção pejorativa, bem pelo contrário! - com o serviço público que nos presta a todos ao descrever 10 dos 29 serviços do ministério, onde se incluem 7 de âmbito regional. E isto, veja-se, para que, felizardos, possamos comer cebolas e tomates vindos de Espanha, peixe capturado pela frota espanhola, frangos degolados em Espanha, bife de reses abatidas em Espanha e tentar combater alguns incêndios com aviões e tripulações vindas de Espanha. E, apesar disso, manter as nossas vacas loucas, sem acompanhamento médico e sem internamento hospitalar. O que, creio, se fica a dever à reduzida dimensão dos serviços de veterinária. Exactamente onde o amigo tinha de interromper a descrição, porra!
As secções temáticas já previstas, com listas parciais de entradas por tema e por blogger (escolha HUMANA), entrarão em funcionamento algures durante o Verão.
O weblog.com.pt tem sido aquilo que a comunidade tem feito dele. Foi verdade durante o primeiro ano, quando erguemos isto (eu faço parte da comunidade, acho que devo usar o plural) a partir do nada e com muitas dificuldades e entusiasmo. Continuará a ser verdade no segundo ano, já com menos entusiasmo dos antigos, naturalmente, mas com gente nova. Que chega cheia de energia. Vão certamente tornar o weblog.com.pt num local ainda melhor para todos nós.
A todos, um abraço.
(Esta entrada não está aberta a comentários)
Sobre as novas regras
Alguns bloggers fizeram notar a existência desde há alguns dias (não me recordo da data precisa, mas foi esta semana) de duas listas de entradas recentes, uma com maior destaque visual por surgir por cima da outra. A razão está presente na documentação sobre os novos serviços e modalidades, documentação essa cuja leitura foi recomendada e linkada aqui ao lado. Também no Forum dei algumas explicações sobre o tema.
São os bloggers livres de emitir as suas opiniões, claro. E cada um fá-lo onde entender.
Ser listado nas entrada recentes, bem como noutras páginas não é um direito adquirido pelos blogs. Até esta semana não estava formulado em lado algum, explícito ou implícito, que a posse de um blog concedesse direitos a estar presente em listagens, quaisquer elas que fossem.
Há até bloggers que desde o início não surgem nas listagens porque assim mo pediram. O weblog.com.pt começou até sem listagens. Esta foram adicionadas aos poucos, na primeira página e noutras zonas do portal. A ideia inicial das listagens era centrar num único sítio a actividade recente da comunidade. Continua a ser a mesma: a divisão entre duas listas faz parte da evolução natural do serviço a caminho da almejada profissionalização que possibilitará a médio prazo um serviço melhor para todos.
Naturalmente, estou consciente de que cada mudança não agrada forçosamente a todas as pessoas. Mas esse facto não pode ser impeditivo da mudança -- se eu agisse assim não havia ESTE weblog.com.pt, como é fácil perceber.
Ponderei a divisão das listagens e conclui que era boa para o portal. Infelizmente tomo este tipo de decisões sozinho: o weblog.com.pt não é uma cooperativa nem uma associação de bairro, nem mesmo uma empresa com sócios que partilhem responsabilidades (e investimentos).
Da mesma forma, se eu vier a concluir que foi um erro ponderarei os prós e contra de o emendar e como. Até agora recebi mais elogios pela divisão do que críticas, mas não julgo o sucesso ou insucesso baseado nesse tipo de factores. Há outros, como o nível de contentamento, o ritmo de crescimento do projecto, a evolução do encaixe financeiro (aproveito para informar que a pauloquerido.com AINDA deve dinheiro do weblog.com.pt a fornecedores e nunca eu ou as pessoas que ajudaram recebi/receberam um tusto pelo seu trabalho) e os índices de popularidade de cada secção onde são apresentadas listagens.
Com a reformulação do serviço de alojamento, agora em parceria com a Six Apart, era altura de melhorar o contrato, por assim dizer, e tornar um pouco mais explícita a documentação. Foi o que fiz. A tabela de serviços e preços discrimina agora melhor (não ainda totalmente... é um trabalho em construção) aquilo a que cada tipo de subscrição dá direito.
Foi por isso recomendada a leitura dessa tabela, bem como da revisão das condições de utilização.
Têm todos os bloggers o direito de se queixarem. Eu preferia que o fizessem em sede própria: por email ou no Forum, dependendo do tipo de queixa e da sua própria atitude face ao weblog.com.pt, à comunidade e a mim próprio. Mas vivemos num país de livre opinião. E ainda que não vivessemos num país de livre opinião, vivíamos de certeza numa comunidade de livre opinião ;) pois eu nunca faria outro tipo de comunidade.
PS: as listas, ambas, vão sendo afinadas ao longo das próximas semanas para um maior equilíbrio, pois o bot que as faz de cinco em cinco minutos está a conceder o mesmo peso (últimos 50 posts) às duas bases de dados (MT3 e MT2.6) provocando um desfasamento. Esse e outros pormenores que entretanto surjam serão afinados on fly -- como aliás sempre tem sido tudo feito aqui no weblog.com.pt...
Publicado por pTd at julho 11, 2004 07:23 PM
Comments
Sinceramente não concordo com esta divisão em duas listas de entradas de post ... entendo o critério de utilizador pagador, mas gostava do esquema anterior. Penso que aceitaria mais facilmente a obrigatoriedade de pagar o serviço do weblog.com.pt do que esta divisão.
De qualquer forma, queria também dizer às pessoas que se sentem discriminadas por esta divisão, que este serviço tem custos e que voluntariamente deveriam propor-se a pagá-lo.
abraço
GIN
Posted by: GIN at julho 11, 2004 08:19 PM
Quanto ás listagens,respeito,no entanto o Paulo Querido poderia ter dado conta de tal facto aqui no portal na altura da implementação das mesmas.Acho que em futuras alterações do portal uma palavrinha acerca das mesmas seria esclarecedor e útil, até para a compreensão dos bloggers acerca do que se passa com próprio portal e a sua evolução.
Posted by: re21 at julho 11, 2004 11:57 PM
Cara GIN: é bom ler isso (aceitação da obrigatoriedade de pagar o serviço) :)
Caro re21: colocada a nova tabela de serviços achei desnecessário discorrer no blog sobre cada alteração. Apenas isso. Como já expliquei em privado a algumas pessoas.
Posted by: Paulo at julho 12, 2004 01:05 AM
já agora ;) o meu protesto pelos meus posts sobre o atentado de madrid e os seus variantes não aparecerem no jornal, enqto. posts sobre futebóis e afins aparecem por lá :). Estamos empatados, srs??? Obrigado :)
Posted by: Golfinho at julho 12, 2004 01:33 AM
Finalmente uma explicação, caro amigo Paulo Querido. Mas a explicação não se compreende. Eu, obviamente que sou contra qualquer tipo de divisão de entradas (já que existem as entradas). Mas se diz que o critério foi pagar o alojamento ou não pagar o alojamento para fazer a tal divisão... Bem, em que ficamos nós os que pagámos e onde eu me encontro incluído. Eu paguei o alojamento e até dei mais algum dinheiro para ajudar o Weblog. Portanto, que história é esta de destacar as entradas dos blogues pagos?... O meu blogue é pago e as suas entradas não são destacadas...!
Portanto, esta justificação da divisão das entradas é para rir?...
Eu não pretendia tornar público que paguei o alojamento do blogue; porque paguei o alojamento do blogue e dei mais dinheiro para ajudar o sistema do weblog que eu sabia deficitário. E foi por amor à causa dos blogues que eu paguei o que paguei e até mais poderia pagar, se isto servisse e servir para permitir blogues gratuitos para pessoas que não têm dinheiro (ou que esse dinheiro lhes fará falta). Mas, no essencial, defendo que se deve pagar o alojamento, pois o alojamento é um serviço, e todos os serviços se pagam nesta vida. Mas também é aceitável que quem não tem dinheiro tenha direito a ter um blogue. E que possa por exemplo pagar simbolicamente o serviço.
O QUE NÃO É ACEITÁVEL É A DIVISÃO CLASSISTA DAS ENTRADAS DOS BLOGUES. Seja pago ou não seja pago. Porque há pessoas que ganham quinhentos contos, por exemplo, e pessoas há que ganham cem contos e muitas somente o ordenado mínimo. Isto, infelizmente profunda divisão social que se reflecte na qualidade de vida em todos os sentidos, já é bem divisão suficiente que chegue. Não é preciso criar uma nova divisão social (que o é de facto) entre blogues de primeira e blogues de segunda, com as duas listas de entrada. O lógico, justo, e até sensato para não dizer defensor de uma igualdade justa, é somente haver uma lista de entradas como o havia antes, ou, então, não haver lista de entradas nenhuma.
Mas, sem dúvida que haver uma lista de entradas é um factor de promoção do serviço de alojamento.
Mas que essa lista sejam duas listas, uma de destaque (DESTAQUE DE QUÊ?... DO CONTEÚDO?... DUMA ESCRITA MELHOR?... DE ASSUNTOS DE MAIOR RELEVÂNCIA OU IMPORTÂNCIA?... E QUAL É O JÚRI QUE JULGA ISTO?...
DESTAQUE, SIM, DE UM GRUPO, HUMILHANDO O OUTRO GRUPO!
ORA, CARO AMIGO PAULO QUERIDO, TODOS OS BLOGUERS QUE TEM O AJUDARAM A CRESCER! TODOS O AJUDARAM A CONSOLIDAR O PROJECTO E A VIABILIZAR A SUA EMPRESA! ESTA É A VERDADE. NÃO SE PODE ESQUECER DE NENHUM. NÃO PODE DIVIDIR OS BLOGUERS EM BLOGUERS RICOS E BLOGUERS POBRES. PORQUE ISSO VAI CONTRA A NATUREZA DA BLOGOSFERA. HÁ REGRAS QUE O MEU AMIGO TAMBÉM TEM DE CUMPRIR; NÃO SÃO SOMENTE OS BLOGUERS QUE TÊM DE CUMPRIR REGRAS.).
Lamento profundamente que este problema tenha surgido, mas foi o meu amigo que o criou. E eu, obviamente, continuo seu amigo e amigo do projecto e da empresa. Mas tenho este "feitio" de não ficar calado perante algo que eu considero injustiça.
Da Revolução Francesa de há muito que saíram os três valores chamados Liberdade, Igualdade, Fraternidade.
Estes valores continuam com toda a necessidade actual de serem defendidos.
Reconheça que errou, que somente lhe eleva o porte ético e moral que já tem; e acabe com esta história da divisão classista das entradas. Como estava antes estava muito melhor. Não havia divisão de blogues nem de bloguers em cartaz.
TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS!...
Posted by: ecce pessoa at julho 12, 2004 02:11 AM
E, a propósito, caro amigo Paulo Querido:
Se ainda tem problemas de défice financeiro que põem em risco esta sua empresa de alojamento de blogues é só solicitar que, quem puder, lhe pague ou contribua mais para a causa. Eu já paguei e contribuí, mas estou disposto com toda a simplicidade a contribuir mais. E convido quem o puder fazer a fazer o mesmo.
A questão de dinheiro é que nunca pode servir para dividir blogues em classes de primeira e segunda no referencial de entradas. Porque o valor verdadeiro de cada blogue está no seu conteúdo e não nos "luxos de forma" que possa ou não ter (e contra os quais nada tenho, pois também me agrada blogues graficamente atraentes, apesar de pensar que nos blogues a palavra em si tem muito mais importância, tal como num jornal).
...
Saudações Críticas Construtivas!
(Já o Agostinho da Silva disse que "Discutir é abanar as cabeças para ver o que têm lá dentro")
...
Saudações.
Posted by: ecce pessoa at julho 12, 2004 04:16 AM
numa coisa tenho de concordar com o ecce, houve uma altura q o paulo escreveu q o projecto estava a dar prejuizo e se todos os bloggers contribuissem com 4 euros, recuperaria. Penso q houve uma grande adesao por todos nós (eu fi-lo por 2 ou 3 meses até o paulo ter finalmente instituido os pacotes, q eu precisava e desejava porq não "pesco" nada disto e sem as funcionalidades deles nao conseguia "sobreviver" por aqui), e que fez com o paulo, penso eu, recuperasse esse prejuizo. Nesses 2 ou 3 meses, confesso contribui para a "causa" com 4 euros mensais, e deve ter havido muitos bloggers nesta situação.
Agora, nessa altura, tratava-se de salvar um projecto que interessava a todos nós, os que podiam pagar e os que não podiam, e graças a nós, ficaram os que não podiam e foram abertos mais blogs gratuitos.
Depois o paulo criou os pacotes pagos, profissionalizou o serviço, está praticamente 24 horas por dia na net para nos dar assistência, é óbvio, penso eu, q ele como qq gestor, racionalize, e dê prioridade aos melhores clientes, agora que a situação está estabilizada, e são os clientes que mais lucros lhe dão, os que ele mais deve deve "pôr" na montra...
meus srs. isto é uma empresa, não é uma empresa pública!
não é pelos vossos posts nao aparecerem em 1º ou 2º plano q descem nas sondagens. vejam o caso do barnabé, do bde, do renas, continuam dia atras dia no top 25. isto é uma falácia. façam o vosso trabalho de bloggers, e deixem a cesar o q é de cesar.
sabem qtos dias o "meu" blog esteve aí sem aparecer, juntamente com o do paulo???
saibam esta resposta, e depois exijam!
obrigado!
Posted by: Golfinho at julho 12, 2004 04:19 AM
Caro ecce pessoa: não foi a primeira pessoa a queixar-se com razão de não figurar na lista destacada. Tecnicamente a lista é feita a partir de uma base de dados. O nome do seu blog não foi lá incluído por razões que têm a ver com a natureza especial da sua conta (e você sabe do que estou a falar, não vou divulgar informação alguma aqui). Escapou. As simple as that. Peço desculpa do lapso. Já foi corrigida a situação: os seus três blogs já foram introduzidos na base de dados e os próximos posts surgirão onde devem.
Quanto ao resto: quem divide os blogues de uma forma classista é você, a autoria da expressão é exclusivamente sua.
Eu não divido blogues pela riqueza ou pelo conteúdo.
Limitei-me a dividir em duas a listagem dos últimos posts de forma a conceder aos subscritores dos serviços pagos um valor acrescentado: a respectiva lista surge primeiro na página, conferindo-lhes natural destaque. É uma estratégia comercial (pela qual outros bloggers me deram os parabéns, diga-se).
Tentarei elevar meu "porte moral e ético" através de outras formas -- mas não assumindo um erro antes de tempo ou de forma forçada. Repito: se e quando eu concluir que foi um erro, ponderá-lo-ei e tomarei as medidas que na altura se me afiguraram necessárias. NÃO ACABAREI com as listagens.
Repito: é uma estratégia comercial e até agora não se revelou errada, feita a excepção à sua discordância.
Não há tal coisa como bloggers ricos e bloggers pobres. Nem aqui nem noutro local.
A lista da primeira página do weblog.com.pt é apenas isso: a lista da primeira página do weblog.com.pt. Que tem outras onde não é feita tal divisão -- ainda.
Há muitas outras listas de entradas. Blogs que figuram nelas e blogs que não figuram, por razões várias, a começar pelas técnicas.
Uma nota final: caro ecce pessoa, isto não é uma explicação. É uma nota sobre as novas regras, que decidi incluir na primeira página porque muitos bloggers não leram as novidades da tabela de serviços e preços e das condições de utilização.
Uma novidade a fechar: a reformulação da primeira página envolverá a breve prazo novas listagens temáticas e de eleição de bloggers e conteúdos, umas robotizadas e outras elaboradas por humanos. Substituirão a actual (e desactualizadíssima) secção Blog do dia, que não consegui manter sozinho. No arranque serão naturalmente dadas informações, como o foram agora no local próprio.
Posted by: Paulo at julho 12, 2004 06:02 AM
A questão das listagens não me parece ofensiva. Parece-me até bem compreensível, mas devo confessar que achei os pacotes pagos um pouco caros.
Dos 3 blogues que mantenho aqui no Weblog.com.pt apenas 1 é pago e creio não ter pago tanto há coisa de 2 meses atrás...
Ainda não tive tempo de ler todos os detalhes, mas pelo que percebi, os blogues gratuitos não poderão ter mais do que 1 autor, certo?
Num dos 3 blogues que referi colaboram 5 autores. Quer isto dizer que deixarão de poder escrever?
Um senão destes preços será o prejuízo para alguma diversidade. É-me impossível manter 3 serviços pagos. Se as funcionalidades começarem a decrescer, terei forçosamente que partir para outra solução.
Temo que isto possa acontecer com outros autores, apesar de compreender a necessidade de financiamento do projecto...
Posted by: Tiago P. at julho 12, 2004 12:09 PM
Cá para mim e para o Mulheres o problema é outro:
Queremos aderir e não conseguimos! Ou não recebem os e-mails, ou não os conseguimos enviar correctamente...
Digam qualquer coisinha!
Um abraço,
Francisco Nunes
Posted by: Planície Heróica at julho 12, 2004 01:30 PM
Caro Tiago P.: as subscrições são pessoais, não tem de manter 3 serviços pagos para ter 3 blogues!
Pode manter três blogues sendo 2 de borla, com a assinatura básica. Poderão continuar pois as regras não têm efeitos rectroactivos. Agora, não vou é poder migrar esse blog para MT3.
Para ter os mesmos três blogues todos dentro da subscrição de serviços pagos basta-lhe-ia pagar a diferença para o serviço ouro. Não tem de pagar três subscrições.
Caro Planície Heróica: o seu será resolvido hoje. Eu este fim de semana fiz mesmo fim de semana, ou seja, não meti dedos a trabalho. Ufa.
Posted by: Paulo at julho 12, 2004 01:51 PM
Caro amigo Paulo Querido:
Eu não critiquei a existência de duas listagens (é bom que isto fique bem claro para todos, pois em tudo o que escrevi nunca coloquei a questão de as minhas entradas não virem na primeira lista) por eu querer aparecer na primeira lista.
Eu não quero aparecer na primeira lista para outros aparecerem na segunda lista. O que eu entendo e continuo a entender é que é errado e anti-democrático haver duas listas. Continuo a entender, porque isto é uma questão de fundo, que a divisão é classista e anti-espírito da blogosfera.
Intrínsecamente e comercialmente a divisão já existe (e aqui nada há a objectar pela própria natureza das estruturas) nos "apetrechos" de que dispõe cada blog, conforme o nível de modelo contratado. Os blogs gratuitos não possuem a ferramenta da inserção de ficheiros de imagem, por exemplo.
Outra coisa bem diferente é o cartaz ou referencial de entradas onde os posts são divididos em duas categorias. Aqui, porque se trata de mostrar a produção de cada blog, é profundamente discriminador a divisão em classes dessa produção. Porque os blogers já "pagam" a divisão que existe nas próprias estruturas dos blogues conforme dispõem ou não dos tais apetrechos. Outra coisa é a sua escrita, os seus posts, o conteúdo que colocam nos seus blogs que, estes, ao serem referenciados em duas listas colocam imediatamente um lastro de "julgamento de valor" profundamente classista, porque destaca uns e os outros é os "mais entradas". Na realidade, destaca uns e menoriza outros, quando é o valor dos posts que aqui deve contar e não o preço que se pagou pelo alojamento. E deve haver igualdade no tratamento dos posts ou entradas, porque todos têm o seu valor próprio, todos interessam da mesma forma, todos têm valor. (O instrumento da escrita, mais barato ou mais caro, não importa. O que importa é o resultado, aquilo que se escreveu. E na amostragem do que se escreveu não pode haver discriminação. Um cidadão vive numa moradia; outro cidadão vive num apartamento cubicular. Quando se "mostram" os dois num, por exemplo, restaurante, devem se separar estes cidadãos em dois grupos?... O rico sentando-se a uma bela mesa e estofada cadeira; e o pobre sentando-se numa mesa torta e numa torta cadeira de pau?...
Suponhamos que o amigo Paulo Querido tinha um hotel e não um servidor informático. Como sabemos, os preços dos quartos variam conforme as suas comodidades. Mas varia o salão de jantar conforme o preço dos quartos? Os alojados nos quartos mais caros têm um belo salão para jantar, enquanto os alojados nos quartos mais baratos têm uma salazinha onde poderão jantar?... Não. O dono do hotel cobra preços diferentes pelos quartos, mas todos os seus clientes jantam no mesmo salão. Todos os seus clientes se "mostram", igualitariamente, no mesmo salão; utilizando todos mesas e cadeiras iguais, sem qualquer discriminação. No salão do hotel todos os homens e mulheres são iguais; todos têm o mesmo tratamento e a mesma deferência com que são tratados.
Será preciso dizer mais alguma coisa?...
[Eu sei que o assunto é incómodo. Mas nós não fugimos aos incómodos, como fizeram outros que bem conhecemos...]
Saudações
Posted by: ecce pessoa at julho 12, 2004 03:51 PM
Quero desde já dizer que não concordo com a listagem dividida em dois.
O que parece, e volto a dizer, parece mostrar é que os do destaque são os bons e os outros, são simplesmentes.. os outros.
Nunca gostei de divisões, mesmo que o Paulo chame de um direito conquistado por quem paga, não gosto de divisões.
Não sou contra o pagamento do serviço que você presta muito bem, nem critico os preços que estipulou. A empresa é sua e você é que sabe os preços que tem de pedir para o projecto continuar saudável para o bem de todos.
O que não me parece muito correcto é esta divisão.
Se importava destacar quem pagava, então que se mude a cor dos links, e que se faça uma lista única.
Tenho esta opinião não pelo facto de o nosso blog não contar na lista de destaque. Sinceramente tive ausente mais de uma semana e ainda nem percebi o que tenho de pagar para fazer o upgrade.
É que somos 4 autores no blog e ainda não percebi qual a modadiladade que mais se ajusta ao nosso caso e até se existe alguma possibilidade de fazer o upgrade gratuito em troca de alguma publicidade no blog.
Mas são opções que se tomam, o Sampaio também tomou a dele ;)
Cumprimentos
Cachucho
Posted by: cachucho at julho 12, 2004 05:22 PM
De acordo numa coisa: o assunto é incómodo. Respondo depois com mais vagar.
Posted by: Paulo at julho 12, 2004 05:25 PM
Ok, aguardo uma resposta.
Certamente existira uma melhor solução do que a decisão de separar posts, como disse atrás, fazendo crer que Aqueles são os bons, e os outros são ... os outros.
Cumprimentos
Posted by: cachucho at julho 12, 2004 07:29 PM
cachucho, o paulo não é o seu amigo nick de má fé!
faça-me um favor, vá ter lições de democracia antes de insinuar o q quer q seja sobre o paulo.
obrigado
Posted by: Golfinho at julho 12, 2004 09:37 PM
Em primeiro lugar não lhe dirigi a palavra caro golfinho. Em segundo lugar o Paulo não precisa da sua defesa para nada, ele sabe se defender muito bem, isto claro se alguém o atacar.
Caso não tenho percebido eu vou lhe explicar, apenas uma vez, que aqui discute-se o weblog e as suas novas modalidades.
O que quis dizer com a frase "Mas são opções que se tomam, o Sampaio também tomou a dele ;)" era para afirmar que as decisões não podem agradar a todos, se não percebeu isso, tivesse me perguntado por e-mail, acho que não necessita desse protagonismo barato.
Jamais ofendi alguém aqui, por isso, vá você ter lições de boa educação antes de me dirigir a palavra.
Cumprimentos
Cachucho
Posted by: cachucho at julho 12, 2004 09:51 PM
É triste. Na configuração do blog, antes de publicar uma nova entrada, eliminei todo o envio de pings para qualquer local e reconstruí o blog com essa nova definição. Agora verifico que a minha entrada vem referenciada na primeira lista das duas listas, o que eu não desejava que isso acontecesse. Eu disse e prometi que não queria referências a minhas entradas na primeira lista havendo duas listas. Eu não quero ser destacado sobre os outros bloggers. Somos todos iguais. Por isso, e pela minha parte para evitar mais polémica, não desejo que as minhas entradas tenham qualquer referência nas listas, enquanto houver duas listas. Para isso desmarquei na configuração do blog o envio de qualquer ping, gravei, e reconstruí o blog com esta nova definição. Não compreendo agora porque é que aparece na primeira lista a referência a uma minha entrada.
Eu sou coerente com aquilo que digo e defendo. Se há duas listas eu não quero aparecer em nenhuma. Não tenho sede de leitores. Escrevo por prazer e por dever.
Foi erro do sistema? É provável. Oxalá não apareça mais qualquer entrada minha em qualquer das duas listas. Se o amigo Paulo Querido voltar a colocar uma lista única, sem qualquer separador, gostarei que as minhas entradas aí apareçam; mas agora em igualdade total com todos os outros bloggers.
Sempre amigo, sempre solidário. Pela igualdade entre os bloggers.
Saudações
Posted by: ecce pessoa at julho 13, 2004 03:19 AM
Por lapso coloquei dois autores no meu blogue. O que não é verdade. Sou apenas eu que o mantenho.
Será por isso que não consigo aceder ao seu interior?
Sei que uma empresa é para pelo menos conseguir pagar as despesas. Estou de acordo com um pagamento.
Entrarei em contacto com o Paulo para que tal seja feito.
Agora pode explicar-me porque não consigo entrar no interior do "letras"?
P.S. Enviei-lhe email acerca deste assunto.
Abraços.
Posted by: LetrasAoAcaso at julho 13, 2004 02:18 PM
Caro ecce pessoa: esse tipo de pedidos DEVE SER FEITO por e-mail e não em zonas de comentários. Relembro que os subscritores dispõem de um endereço especial de maior prioridade.
Posted by: Paulo at julho 14, 2004 03:31 AM
Esta discussão está a assumir contornos disparatados. Todos temos direito a dar a nossa opinião sobre o assunto, sem começar a insultar os outros e sem ter que fazer declarações de princípio. Não me parece que o paulo tenha organizado isto em duas listas para destacar uns detrimento de outros. Penso que o Paulo explicou, e aceito a explicação embora discorde, que o fez com o intuito de beneficiar os blog que comparticipam nas despesas. Na verdade eu não concordo, pelas razões que disse em cima, isto é, porque me parecia mais correcto estabelecer um pagamento a todos os utilizadores do que criar duas listas. Preferia tb, que a não tornar este serviço obrigatoriamente pago, que se mantivesse uma lista. Mas esta é a minha opinião. Quero ainda dizer, que estamos a ter esta discussão porque nos habituámos a usufruir do trabalho dos outros à borla. O que aqui está em discussão é o facto de o Paulo Querido se ter envolvido neste projecto, que nós usufruimos, e apesar de ir colocando posts sobre os custos do serviço, muitas pessoas limitaram-se a usufruir sem perguntar como podiam contribuir neste projecto. Acrescento ainda que trazer para aqui as dificuldades económicas como argumento é absurdo e insultuoso porque o preço é irrisório. Uns podem escolher as alternativas mais baratas ou mais caras, mas umas e outras não têm um preço que seja limitativo da participação. Não querendo pessoalizar nem dizer que isto se passa com quem aqui postou comentários, discutimos a participação económica num projecto que utilizamos, mas a verdade é que pagamos por 3 meses de alojamento o equivalente a um jantar fora ... arre que é demais
Posted by: GIN at julho 14, 2004 07:07 PM
Não, GIN, não estamos a ter esta discussão "porque nos habituámos a usufruir do trabalho dos outros à borla".
Estamos a ter esta discussão por outro motivo, que é: Independentemente do que paga cada um pelo alojamento do seu blog, os seus posts devem ser segregados em listas de primeira e listas de segunda? O muro da Cisjordânia também está a ser "levantado" aqui?... (Tudo metafórico ou alegórico, claro está!... Não vá ofender-se o diabo da própria barra separadora!... No fundo, tudo na web retrata a realidade social não virtual. Por isso, não havia a web de também ser segregacionista?...)
Mas cada um tem aquilo que merece, de facto. E as ovelhas blogárias, pelos vistos, gostam de ser separadas em dois currais, pois aceitam todas a discriminação do bom pastor.
Oh!, Por Favor!, se aceitais os desígnios do bom pastor tão passivamente!, não vos ofendais comigo!, Por Favor!
Senão, lá tenho eu outra carrada de vírus a caminho do meu computador; que eles não páram valentemente de chegar. Tem sido uma luta árdua. Quem me enviou vírus, se faz o favor, diga logo quem é, que é somente para a Polícia ter um pouco de menos trabalho. Mas claro que é fácil descobrir quem foi, mais fácil do que estes criminosos pensam.
Posted by: ensaio sobre a estupidez at julho 14, 2004 08:13 PM
Caro ensaio sobre a estupidez: a comunidade weblog.com.pt agradece o seu lúcido ponto de vista. em nome dela, obrigado.
Em meu nome pessoal, agradeço-lhe o facto de me ter recordado, com o seu comentário, que "tudo na web retrata a realidade social não virtual". Aqui também há indivíduos com os quais eu não quero sentar-me à mesma mesa. Como você.
Posted by: Paulo at julho 15, 2004 04:02 AM
Paulo cada vez percebo menos disto, agora optou por excluir das listas todos aqueles que não pagam... você é que sabe, já nem digo nada...
Já agora para aparecer nas listas basta fazer o upgrade para o MT3?
Posted by: cachucho at julho 15, 2004 09:31 AM
Apesar de o meu blogue no Weblog Portugal estar adormecido, verifico regularmente o que por aqui se vai escrevendo e acho triste toda esta confusão.
Não satisfeitos com o alojamento gratuito, os bloggers ainda querem publicidade gratuita?
Gostava de deixar 2 sugestões. A primeira é que só aparecesse na lista a última entrada de determinado blogue. Já reparei que há pessoas que escrevem n entradas seguidas só para "aparecerem". A segunda é se não seria possível que aparecesse junto com o título, uma pequena descrição da entrada. Não mais do que 10 ou 15 palavras...Ao estilo por exemplo do que fazem sítios como a TSF. Só para que quem estiver a ler fique com uma ideia do post.
Continuação de bom trabalho. Acho que merece todo o respeito pelo pioneirismo, e pelo esforço que imagino ser manter um sítio como o WPT.
Posted by: Afonso at julho 15, 2004 09:47 AM


À atenção de quem a impôs, por via de um acordo de cavalheiros, por falta de disposições constitucionais que lhe dessem cobertura. O acordo começa a ser traído quando publicamente apenas foram anunciados os nomes de dois ministros. Resta esperar para ver o que se seguirá e aguardar pelas declarações do Dr Dias da Cunha. Mas isto deve ser o sistema a funcionar. Ainda antes do sorteio da superliga, do arquivamento do processo do apito e da promoção a desembargador do filho do assessor jurídico da Câmara de Gondomar. As condecorações terão que aguardar pelo dez de Junho, ainda quase tão distante como o próximo S. João. Das Fontaínhas, carago!