outubro 31, 2003

O que é possível fazer pela divulgação de blogs novos?

Um dia destes, no forum, deparei com uma questão curta e simples em que alguém perguntava: Já tenho um blog, como promove-lo? Ter um blog, pronto, não é tarefa muito complicada, desde que se não queiram fazer coisas sofisticadas que exijam o domínio de técnicas especiais. Até eu mesmo o consegui, sem abandonar a simplicidade da matriz que, por defeito, foi posta à minha disposição. Porque, sempre que lhe quis acrescentar alguma coisa, então sim, a porca torceu o rabo!

Agora quanto à divulgação – porque, honestamente, não gosto do termo promover! – isso é outra coisa, que se me escapa e me parece muito mais complicada. Isto porque, em princípio, ninguém vai a correr visitar um local de que nunca ouviu falar, onde nunca esteve nenhum amigo e que não vem sequer no mais detalhado de todos os mapas. E de onde nos não chegam nem recordações, nem artesanato, nem especiarias.

Atente-se na descoberta do caminho marítimo para a Índia, em quantas tentativas foram feitas para lá chegar, nos ignotos locais que foram sendo descobertos e nos equívocos que se foram sucedendo. E, apesar de se saber que era para “aquele lado”, que de lá chegavam a pimenta e o cravinho, – esse não, o da Índia! – mesmo assim o nosso Pedro Álvares Cabral foi ancorar onde toda a gente sabe.

Por mim creio que há que descobrir algumas afinidades e afectos. Na navegação que fazemos, um pouco ao sabor de um extenso conjunto de ligações que descobrimos num qualquer endereço, acabamos por visitar sítios de que gostamos, que nos sensibilizam, que resultam em alguma boa disposição. E onde natural e regularmente acabamos por regressar. Depois podemos ir deixando alguns comentários ou enviando algumas mensagens sugerindo que nos visitem, ao menos uma vez. Se encontrarem no nosso “blog” alguma coisa de interessante, certamente se comportarão como nós: irão regressar e, talvez, passar a palavra.

Assim é que aqui, gostosamente, assinalo a resposta, o encorajamento – e a visita! – do Daniel Oliveira, do Barnabé e da Charlotte – desculpe a omissão do Sra. D. – da Bomba Inteligente. Quanto ao resto, é prosseguir, insistir, tentar, recomeçar. Tantas vezes vai o cântaro à fonte...

Publicado por LFV em 03:34 PM | Comentários (5) | TrackBack

Por uma vez: perderam todos!

Foi esta manhã, enquanto uma qualquer emissora de rádio me sacudia do sono com música aos berros, piadas alarves e algumas notícias. Apercebi-me de que divulgavam os resultados de mais uma sondagem de opinião. Não, não era sobre o detergente para roupa que lava mais branco nem sequer sobre o detergente para louça que lava mais hectómetros de pratos sujos, alinhados nas bermas da estrada. Nem sequer sobre o sexo dos anjos ou as preferências literárias das D. Corin Tellado e Margarida Pinto. Era, mais uma vez, sobre a intenção de voto dos portugueses em hipotéticas eleições legislativas que se sabe se não vão realizar, como poderia ser sobre a responsabilidade pelo conserto da chuteira do Sr Deco, saída com estragos do estádio do Bessa na pretérita segunda-feira: se o Sr Paulo Paraty, se o Sr José Mourinho.

Retive ainda, pela leitura daquilo a que chamam ficha técnica e que dizem sempre em surdina e à velocidade a que o defunto Concorde rumava de Londres a Nova Iorque, que tinham sido inquiridas mais de mil – notem bem: mais de mil! – pessoas. O que, naturalmente, não podendo ser um número que se possa comparar com o dos simpatizantes do Benfica é largamente superior ao número dos senhores deputados que fazem o favor de nos representar na Assembleia da República. Não me apercebi de quantas tinham dito o mesmo de sempre e que fazem parte do grupo que, pela designação que lhe atribuem, mais me delicia: não sabem ou não respondem. Nem sequer isso era importante.

Mas ouvi que os maiores partidos do Campo Pequeno que é a nossa política tinham, todos eles, descido em relação aos resultados da sondagem anterior. E extraio uma conclusão ousada mas que é imediata para quem, como eu, aprendeu a tabuada dos dois a cantar ao ritmo da marcha do Bairro da Bica. Se todos desceram, os “não sabem ou não respondem” avançaram o que, desde logo, revela uma maior consciência do valor e do peso das sondagens. Quer dizer, foram eles que ganharam.

Infelizmente acabo sempre por sentir-me meio falhado quando a divulgação destes resultados não é acompanhada dos comentários sensatos, lógicos e até científicos dos líderes partidários. E às vezes até mesmo hilariantes que são, honestamente, aquilo que mais me diverte. E em que acabam sempre todos a ganhar mesmo quando os números dizem que todos perderam. Mas lá descobrem uma recôndita freguesia onde, finalmente, um eleitor pôs a cruz na casinha deles!

Publicado por LFV em 11:53 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 30, 2003

Comunicado sobre a Taça de Portugal

Os orgãos sociais do Benfica, da assembleia geral ao conselho fiscal, passando naturalmente pelas direcções, do clube e da SAD;

Os sócios, antigos ou recentes, com ou sem quotas em dia, casados ou solteiros, com ou sem filhos, com direito a 20, 5, 1 ou mesmo voto nenhum;

Os apoiantes das listas dos Srs Vieira, Antunes ou Madaleno e de outras que não houve, na perspectiva de que todas são ganhadoras, se não estiver em causa o campeonato em que o Sr Mourinho já assumiu ser o melhor;

Vêm pública e estridentemente congratular-se pela elevação com que decorreu o sorteio da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal em Futebol, superiormente organizado pela Federação Portuguesa do dito sob a direcção do seu guia-mor, Dr. Madail. Manifestam ainda a sua tranquilidade quanto ao desfecho do encontro com o adversário que lhe coube em sorte – gaita, não está a sair bem, parece linguagem de tourada! – e, nessa intenção, farão uma peregrinação a santuário ainda a definir, com direito a transporte, almoço e merenda, bebidas à parte.

Dão ainda graças por este ano não se esperar nenhuma invasão de ourives, carregados de ouro e filigrana, vindos da margem direita do rio Douro. E que, com isso, não são previsíveis subornos, faltas por marcar, bolas atiradas para dentro do campo pelos apanha-bolas nem golos em que a bola saia por buracos feitos nas redes das balizas. A relva não correrá riscos porque nenhum gondomarense – nem o distinto presidente da Câmara – a comerá. E venceremos!

Publicado por LFV em 01:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

Francisco Assis e Narciso Miranda selam aproximação

Mesmo que se suponha que almocem todos os dias, desta vez almoçaram juntos, pondo ambos os pés sob a mesma mesa. Dificuldades houve em acordar sobre o concelho que os acolheria: Matosinhos ou Amarante. E sobre o local para o repasto: marisqueira ou casa de pasto. Ganhou Matosinhos e optou-se pela marisqueira. A ementa, discretamente, não foi revelada devido à situação de crise em que o país se vai afogando e à turba de famintos que vai aparecendo sem ser convidada.

Sobre o almoço, Francisco Assis declarou posteriormente que as entradas estavam divinas, o marisco – importado de Espanha – uma frescura, sem o mínimo sinal de petróleo, o cherne devidamente grelhado, no ponto, o verdinho – pois claro! – tinha sido de Amarante e sabe-se que não há melhor e as sobremesas, ui!, conventuais. O café era topo de gama, bastava que fosse das marcas do camarada Nabeiro e, quanto aos digestivos, ambos acordaram numa aguardente de estalo, envelhecida em casco de carvalho. No charuto é que se não tinha conseguido outra proveniência. Sim, um havano!

Quanto ao Narciso? É um óptimo conviva, regou o repasto com uma série de piadas novas que não têm a ver nem com a Casa Pia nem com o Dr Vale e Azevedo, estava muito bem disposto, apesar da espinha no gasganete que é o tal de Seabra, que se espera há-de quebrar ou torcer. A espinha, está claro! A conta? Insistiu ele em pagá-la, com cartão de crédito, naturalmente. Sim, por causa da evasão fiscal e da Dra Ferreira Leite, pediu a factura. Se a vai incluir nas contas de alguma entidade? Ah!, não posso saber, não mo disse e isso é uma questão do seu foro pessoal.

Mas foi um almoço de trabalho, não foi? Para selarmos uma aproximação entre ambos. Mas não divulguem, que os selos ainda são monopólio dos correios e o Dr Seabra pode vir a saber e desatar a pensar coisas!

Publicado por LFV em 10:56 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 29, 2003

O humor é trágico!

Fazer humor é uma tarefa difícil e complicada a que apenas tem acesso um pequeno e raro número de praticantes. E mesmo estes, frequentemente, sem sucesso em grande número de casos, por não atingirem os objectivos. Mas, no entanto, as matérias primas de que se alimentam as situações de humor – as conseguidas e as desconseguidas! – estão permanentemente ao nosso redor, na sequência trágica de acasos e acontecimentos de que a própria vida se vai construindo dia a dia. É a partir dessa realidade concreta onde, dificilmente, se descortina presente para os nossos jovens e futuro para os nossos filhos, que se criam situações que levem o destinatário a uma reacção em que, ao menos, se divise o esboço ténue de um sorriso.

Mas a população de destinatários é demasiado heterogénea para que se consiga uma reacção única, em cadeia e que, por momentos que seja, consiga unir todos eles numa satisfação comum. E estes resultados são fortemente influenciados por um conjunto de factores muitas vezes opostos entre si. O país, a raça, a religião, a instrução, a cultura, a idade, eu sei lá. O sentido de humor, falando de Portugal e do Porto, da D. Agustina não tem que ser comparável ao do Sr Manuel do Laço, mesmo que ambos residam ou passem parte do seu tempo para os lados da Boavista. E nem assim seria mesmo que ambos fossem ilustres escritores da nossa praça – os meus respeitos, Sra D. Agustina! – ou acérrimos simpatizantes do Boavista Futebol Clube – a minha compreensão, Sr Manuel do Laço!

É preciso transportar algo que se exercita mas que se não cria. E olhar para todas as coisas e para todos os factos com a isenção que quase nunca se possui em relação a nada. Fazer interpretações em que predominem a ironia e o sarcasmo. É preciso ridicularizar a atitude pretensamente séria com que as figuras da nossa sociedade, em sentido lato, se nos apresentam nas mais variadas oportunidades. A única coisa que se pode fazer em relação à seriedade do deputado Cruz, de Águeda, que começa por alegar não estar disponível para ser ouvido por um tribunal porque o Parlamento o não autorizou, é rir com a seriedade grotesta de um homem que os portugueses elegeram, democraticamente, para os representar. Porque, com argumentos que nem ele entende, faz de palhaço, sem sequer precisar de vestuário apropriado ou de pinturas na cara.

Então alguém pode tomar a sério o Dr Lacão, que preside à Comissão de Ética da Assembleia da República, quando o mesmo, nas instalações do Parlamento, creio que após reunir a comissão a que preside, diz um chorrilho de barbaridades que, apesar de tudo, o Dr Pedroso talvez não merecesse? E depois, angelicamente, vem declarar que se pronunciou a título individual, na sua mera condição de cidadão igual a qualquer um dos sem abrigo que habitam as entradas dos prédios da cidade? Em consciência deveria, neste caso, ter remetido as câmaras de televisão para os locais onde os sem abrigo se desabrigam menos, para que aí fizessem o seu trabalho. Porque televisões à volta já ele tem, de vez em quando, no exercício de outras funções. Alturas em que se apresenta usando sapatos com salto um pouco mais alto porque isso melhora os planos e o beneficia um pouco.

Pode-se tomar a sério o ar emproado, o fato às riscas e o nariz ameaçadoramente aquilino do Dr Portas, travestido de ministro das guerras, com motorista e assessores às ordens? Mesmo quando viaja no banco de trás de um dispendioso Jaguar com um motor de doze cilindros. Ou quando beija todas as peixeiras do mercado da Ribeira e lhes promete bons casamentos para as filhas, enquanto as mesmas vão descamando a chaputa e apregoando a sardinha? Ou será de lhe dar mais crédito quando joga duas partidas de sueca com os reformados que, pelo bom tempo, se concentram no Jardim da Estrela em que, por solidariedade, até aceitou perder, desde que se jogasse a feijões e nenhum adversário fizesse batota?

Alguém, mesmo no decurso da Festa do Avante, com a melhor das boas vontades, acredita nas declarações do Dr Soares, sim, o Bernardino, quando tem dúvidas sobre a não democracia que é o regime implantado sei lá em que país? Sendo certo que estes meus olhos cansados e ligeiramente míopes, viram parangonas em jornais apregoando as excelsas virtudes das ditaduras democráticas do proletariado? Que o exemplar democrata, Sr José Estaline, tanto difundiu e defendeu, mesmo à força e contra os camaradas divisionistas que não enxergavam nada do futuro.

Posso eu, que sou pobre e trabalhador por conta de outrém, conceder algum crédito ao Dr Louçã quando me enche os ouvidos, a mim e aos mais pobres do que eu, de promessas, de benesses, de bens essenciais e até de pasteis de Belém para levar para casa? Eu, que me habituei a ser sistematicamente extorquido por todos os ministros das finanças, mesmo os do governo do Dr Salazar? Tudo em nome do saudável equilíbrio das contas públicas(?) e, agora, dos critérios de convergência que a UE, democraticamente e por consenso, com a amiga Alemanha à cabeça, nos impõs a par do Euro. E que não cumprimos!

O pobre já se não limita a desconfiar do tamanho da esmola. Em época de crise – por mais sinais de retoma que o Dr Barroso vislumbre, mesmo a partir de Angola – o pobre desconfia desde logo da esmola. Alguém a querer dar-me alguma coisa? Só pode ser laracha de mau gosto!

É por isso que o humor é um acto difícil e complicado. E invariavelmente trágico!

Publicado por LFV em 05:52 PM | Comentários (0) | TrackBack

http://www.proverbios.weblog.com.pt

A Inês tem onze anos e está a fazer "posts" com imagens que são provérbios cifrados. Pede que lhe não escrevam palavrões, uma coisa que não seria preciso pedir a ninguém.

O último "post" que vi: "a cavalo dado não se olha o dente". Será? A Inês que me ajude!

Publicado por LFV em 05:21 PM | Comentários (1) | TrackBack

Desta vez até o Sr Pinto da Costa vai preso

Segundo os jornais desportivos de hoje o “mágico” – não o Luís de Matos mas o número dez da equipa de futebol do Sr Mourinho – arrisca-se a uma longa pena de suspensão em consequência dos incidentes verificados no estádio do Bessa, no jogo da última segunda-feira. Como se sabe, e se viu, o referido “mágico” perdeu uma chuteira, contra os regulamentos pontapeou a “redondinha” descalço e foi advertido pelo Sr Paulo Paraty. A quem depois, desagradado, arremessou em acto de digno protesto e de varonil desagravo a dita cuja chuteira, ainda morna e impregnada do conhecido “sulfato”, que não terá cheirado bem àquele rigoroso homem do apito. E este, vai daí, escreveu tudo no relatório que, ao que dizem, daria um “post” de grande audiência no “blog” do Pipi.

Agora o tal “mágico” não sabe como descalçar a (outra) bota. E o Sr Pinto da Costa, que já antes julgou de justiça deter – ao menos preventivamente! – o Sr Ben McCharty, teme pela sua própria liberdade, apesar da sobrelotação dos presídios. Para gáudio do Dr Vilarinho e daquele rapaz de voz grossa que fala para as câmaras de televisão. Ai, como é que ele se chama? João, João, João ... Milheiro!

Publicado por LFV em 03:07 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 28, 2003

O julgamento do Bibi

Depois de peripécias diversas, o julgamento de Bibi, como arguido num processo de abuso sexual de menores, não foi hoje adiado como já antes tinha acontecido por mais que uma vez. Ao invés, foi iniciado e suspenso logo de seguida. A defesa alega que ele não está em condições de responder, por ser doente e, por isso, não ser imputável.

Ouço que um clínico reclama para a pedofilia o estatuto de doença. O que daqui a pouco significará o esvaziamento de presídios e a superlotação de hospitais. Quero crer que o tratamento não passará por intervenções cirúrgicas. Porque, se assim fosse, lá estaria o Dr Pereira, da Saúde, a contas com desvios importantes na redução a zero das suas listas de espera.

Publicado por LFV em 04:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

A última meia cunha do Dr Martins da Cruz

Depois de algumas hesitações, teimosias, recuos, certezas e menos verdades, o Dr Martins da Cruz demitiu-se do seu cargo de Ministro. Quando o seu colega do ensino superior já o tinha feito e já estava longe, de cachecol do Sporting ao pescoço.

Sabe-se agora que o Dr Cruz ficou ainda a arrumar algumas questões, entre elas o futuro do seu assessor de imprensa, Fernando Lima. E lá conseguiu uma última cunha para que o homem fosse nomeado director do Diário de Notícias.

Ou melhor, apenas meia cunha, porque o Dr Cruz se esqueceu do Conselho de redacção daquele jornal. E este não teve dúvidas, “chumbando” a nomeação. Socorrendo-se embora de alegações medievais e que apenas servem para a nomeação de pessoal menor, com o devido respeito: o título deve manter-se isento de partidarismos!

Publicado por LFV em 09:35 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 27, 2003

QUE RAIO DE DIA!

Não está frio mas também não faz calor. Já choveu e deixou de chover. Já se mostrou o sol e deixou de mostrar. O cinzento da hora de inverno prevalece no tempo como na vida. Que raio de dia!

Vou visitando alguns dos “blogs” portugueses e procurando algo de novo e original. Decido que tenho que passar por uma livraria para comprar o sacana do livro do P Querido e do L Ene para me entreter e procurar adquirir alguns conhecimentos sobre esta realidade. Fico pasmado com o grafismo de algumas páginas e com aquilo que, afinal, é possível fazer-se. E o que mais me espanta é eu nem ser capaz de inserir nesta um “link” ou um endereço de “e-mail”. Realmente!

Quando ao resto, vou ouvindo a TSF que vai transmitindo o seu forum matinal, hoje sobre as vaias ao Dr Barroso no decurso da inauguração do novo estádio da Luz. É apenas um hábito, o de manter a sintonia. Os temas foram-se tornando vulgares e a maioria das intervenções perfeitamente dispensáveis e caricatas. Limito-me a ouvir o ruído e a não prestar atenção ao conteúdo das palavras. Mas, mesmo assim, admiro-me como há pessoas que se exaltam e que se excedem no que pensam e no que dizem. Ainda acreditando, como se estivesse em causa o seu clube de futebol.

Folheio um jornal, que só um me chega. Rapidamente é transmitida ao consumidor a informação de que a carne está livre de nitrofuranos desde Maio passado. À velocidade do TGV foram precisos quase cinco meses para que o soubéssemos. Mas está tudo bem, mais do que isso demora a nascer qualquer criança. O governo prevê divulgar hoje o relatório final e adianta-se que, só em análises, se gastou uma pequena fortuna. Mas uma fortuna muito maior não foi ainda posta à disposição do organismo a que compete a recuperação ambiental de minas. Enquanto isso, como sempre, como em todo o lado, as populações vão esperando. Convivendo com o risco para que se sintam no seu ambiente e para que as mudanças não sejam rápidas. Agradeça-se ao governo o seu comportamento paternal.

Ao balcão de um bar fico a saber porque é que os nossos vizinhos espanhóis podem dormir a sesta e, quase ao lado, deparo com o “Pântano” do Dr Prado Coelho que tece considerações escorreitas sobre o PS. Enaltece o tom do discurso de oposição do Dr Louçã, a que o Dr Bagão chama demagogia. E fico sem saber em qual deles devo acreditar, decidindo-me por não acreditar em nenhum deles.

Finalmente! Uma citação do Sr Fernando Santos restaura-me a auto-estima – é assim que se diz agora, não é? – quando nos adverte para o facto de “os sucessos desportivos serem o melhor exemplo de que o País não é um manicómio em autogestão como às vezes se tenta fazer crer”.

Arre, e eu que quase desesperava! Já quase ansiava pelo regresso à bata branca do Dr António Lobo Antunes!

Publicado por LFV em 04:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 26, 2003

Promiscuidade ou polivalência?

Há situações que de há muito me confundem. E, como sempre tive dúvidas e frequentemente me engano, continuam e hão-de continuar a confundir.

Em tempos falou-se, de passagem, na eventual promiscuidade entre a política e o futebol. O que foi, naturalmente, um seguro equívoco de algum político ou de algum dirigente de clubes de futebol. Aquilo que os nossos políticos natural e simplesmente são, quando gostam de futebol, é simpatizantes ou mesmo associados dos clubes da sua preferência. E ninguém lhes pode negar esse direito. Assim é que se sabe que o Dr Sampaio é do Sporting, o Dr Gomes do Porto, o Eng Guterres do Benfica e o Dr Rio do Boavista.

E nada disso tem a ver com o facto do presidente da Câmara de Gondomar ser presidente da Liga de Clubes, do ex-deputado Dr Madail ser presidente da Federação, do ex-presidente do Sporting ser presidente da Câmara de Lisboa ou do ex-presidente da SAD do Sporting ser deputado do CDS.

E mais do que isso! Nada tem a ver que o Dr Santana seja presidente da Câmara de Lisboa, dirigente do PSD, comentador de televisão, cronista de jornais desportivos e, suponho, exemplar pai e chefe de família, mesmo não sendo associado do Benfica.

Nada interessa que o Sr major de Loureiro seja presidente da Câmara de Gondomar, presidente da Liga, dirigente do PSD, simpatizante do Sporting, associado do Boavista e mesmo pai do Dr João Loureiro que é deputado do PSD e presidente do Boavista.

Não tem significado particular que o Dr Pereira, militante do PSD, seja eurodeputado, comentador de televisão, autor de crónicas em jornais – de sua autoria, para efeitos fiscais, ou queriam que fossem plagiadas? – e o autor de um dos mais activos “blogs” da internet, apesar das suas muitas, longas e maçadoras viagens.

Mas o que me confunde mesmo é nunca saber se o Dr Santana, o Dr Vara, ou o Eng Sócrates estão na tribuna de um estádio em árduo trabalho político ou apenas para assistirem a um simples jogo de futebol. E já agora, que cadeira deixou ontem por ocupar na tribuna do novo estádio da Luz o Sr major de Loureiro? A de presidente da Câmara de Gondomar ou a de presidente da Liga?

Publicado por LFV em 07:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 25, 2003

Logo hoje, carago!

Tinha que ser logo hoje, que o dia está de inverno: frio, chuvoso e triste. Preparava-se o Sr Pinto da Costa para, no conforto da alcatifa, digerir a grande surpresa que foi a Assembleia Geral do Dragão lhe ter exigido que se candidatasse a um novo mandato de presidente. O que, sendo imperativo, não deixa alternativas, como os parcómetros do Dr Rio nos quais ou se paga, ou se paga!

Ainda por cima depois de dispensado, a seu pedido, da peregrinação à nova catedral da Luz, por atitude magnânima do Dr Vilarinho. Quando pretendia aproveitar a calma de um sítio confortável, debaixo de telha, para dirimir antigas questões do foro familiar e tentar resolvâ-las. E vem de lá o presidente da SAD e pimba, estraga o programa todo, convidando a D. Filomena para a cerimónia, deixando-o a contas com um monólogo que o Gil Vicente não escreveu!

Bem, que ao menos se possa estabelecer o programa de acções para o Bóbi e para o Tareco, a tempo de começar a ser executado na próxima segunda-feira. Porque, mesmo eles, não podem ser expostos à intempérie, animais de estimação que não suportam alojamento em sociedades protectoras nem buscas em silvados encharcados.

Publicado por LFV em 03:11 PM | Comentários (0) | TrackBack

O novo estádio da Luz

Com a inauguração do novo Estádio da Luz – a que um qualquer luterano da UEFA, desbocado, chamou a semana passada de “catedral” – estão hoje de parabéns, segundo contas antigas, creio que do Sr Damásio, nada mais que seis milhões de portugueses que têm uma águia real tatuada nas costas. E, graças aos prodígios da engenharia financeira do Sr Vieira estão também de parabéns todos os restantes, tenham águias ou lagartos tatuados nas costas ou apenas pintados na testa.

Isto apenas porque o estádio é um milagre digno da nossa rainha Santa Isabel que, levando dívidas no regaço, as transformou em betão, tijolos e argamassa quando perigosamente viu que se aproximava a senhora ministra, Dra Manuela, esgrimindo duas dúzias de acções – pelos vistos más! – dadas em garantia não sei de quê e que nem cotação tinham na feira da Vandoma ou valor na travessa do Anjo.

Mas, como da noite se fez dia, assim do nada se fez o estádio a uma velocidade que não é do país. E assim, seguro, sapiente e consequente, assegura o Sr Vieira, de Alverca, que construir é apenas o contrário de destruir e que, por isso não foi difícil. Quanto a recursos financeiros? Difícil seria edificar uma obra de 120 milhões tendo que gastar 500, agora erguê-la sem ter nada foi um desafio de garotos. Díficil seria estabelecer ao Sr Bill Gaitas o objectivo de ficar rico que, como toda a gente sabe, ele persegue de há muitos anos a esta parte. E que tem ele conseguido? Nada que tenha ido além de ficar mais rico. Porque ficar mesmo rico, rico, ele nunca mais o conseguiu, depois de o ter ficado a primeira vez.

Tão simples como encher pneus, tenham eles a medida que tiverem e sejam de que marca forem!

Publicado por LFV em 02:39 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 24, 2003

Sob escuta? Oh Rosa!

Oh ROSA estou farto de te dizer! Não insistas comigo. Já disse que faço o trabalho, mas precisamos de nos encontrar. E este CASACO é um disfarce fora de prazo, que já não serve. Está velho, puído, faltam-lhe botões, o padrão está fora de moda e aperta-me horrivelmente nos ombros.

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Com ele, qualquer rafeiro dará comigo à primeira, mesmo na segunda circular à hora de maior congestionamento. Quanto mais um Gastão de família, que trás consigo o bilhete de identidade e a árvore genealógica completa. Além da educação e da cultura, dos amigos, dos vizinhos, dos sócios do clube!

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Mas temos de nos encontrar para combinarmos condições. Até a padeira de Aljubarrota desperdiçou uma fornada quando encheu o forno de castelhanos, e os tempos estão difíceis. Achas que de outra forma usaria ainda este sacana deste CASACO? Até as gajas do Intendente olham para mim à distância, com comiseração. A que um homem chega, carago!

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Encontramo-nos no Parque Eduardo VII. Qual Campo Grande! Estás maluca ROSA? No Parque Eduardo VII e ponto final. Não! Nessa zona não! Ainda sou apanhado por algum BM de topo de gama e depois? A desoras não há seguro de acidentes de trabalho que me proteja.

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Hoje, às 21:30, sem falta. Sei lá se estará luar ou se o céu estará pouco nebulado. Telefona para a meteorologia e pergunta-lhes. Procura-me discretamente escondido atrás de uma árvore que não consiga esconder o João Soares. Estarei sozinho sim. Se divisares dois vultos, pira-te, se não ainda acabas dentro do processo. Sim, por atentado aos bons costumes!

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Vai de chapéu e não leves óculos. Veste uma gabardina. Sim, mesmo que não chova. O quê? Não enxergas nada sem óculos? Ah, às vezes nem com eles, nem mesmo à frente do nariz! Mas esse não é problema em que eu possa ajudar. Tens de ir ao oftalmologista e eu só sou agente secreto. Não, detective particular que está mais na moda, passa mais despercebido. Pensarão que sigo alguma gaja qualquer que anda a chifrar o marido enquanto ele vai ao bingo.

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Claro que vais ficar satisfeita porque vou registar tudo. Sim, sem bips nenhuns. Merda é merda, cagar é cagar. Os tempos mudaram, antigamente é que tinhas de rezar um padre nosso logo a seguir. Agora isto é um inferno pegado, não adianta rezar. As chamas da fogueira sobem cada vez mais alto. Mas está descansada, há quem nunca seja chamuscado. Pronto, até logo! Ah, fita azul no chapéu, ouviste?

Publicado por LFV em 04:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

As listas de espera da saúde

Hoje de manhã, no Porto, tive que me deslocar a um centro de saúde para tratar de um assunto pessoal. A funcionária que me atendeu foi extraordinariamente atenciosa e simpática, contra todas as ideias que, de um modo geral, temos sobre a administração pública.

Mas, acidentalmente, acabei por saber que há naquele centro uma lista de utentes, à espera que lhe seja indicado um médico de família, que ultrapassa as três mil pessoas. Não quis afrontar a senhora, tão correcta ela tinha sido para comigo, dizendo-lhe que o que me dizia não era verdade e que, muito simplesmente, estava enganada.

Porque estas foram, naturalmente, as primeiras listas de espera a ser reduzidas a zero pelo ministério do Dr Pereira. Depois delas já foram extintas as relativas às consultas médicas que, actualmente, se marcam e realizam no próprio dia. E até as listas que havia para intervenções cirúrgicas também, como o ministro tem repetidamente afirmado e as televisões todas têm noticiado, já passaram à história. E renderam significativos proventos a entidades do sector privado, então a quem deveria ser?

Isto recorda-me uma mensagem que, em tempos e sem objectivo especial, deixei no "site" da sub-Admistração Regional de Saúde de Santarém salientando que uma freguesia daquele distrito, com mais de cinco mil habitantes, estava há pelo menos seis meses sem um único médico, fosse a tempo inteiro, fosse a tempo parcial.

Tiveram aqueles serviços a cortesia de me responder por correio electrónico, passados quinze dias. Para descaradamente me chamarem mentiroso, salientando saber eu muito bem que não era verdade aquilo que tinha escrito. Quando o que suponho é que o Dr ou a Dra que dirigiam ou dirigem aqueles serviços nem conhecem os concelhos que servem, quanto mais as freguesias e, muito menos, aquilo que por lá se passa. Com velhos de mais de oitenta anos a irem para filas às cinco da manhã, seja Verão ou seja Inverno, na tentativa sebastiânica de conseguirem uma consulta.

O exercício da política é, definitivamente, cada vez mais um exercício de sem vergonhas, mais do que de demagogos. E, contrariamente ao que pretende o Dr Sampaio, não podemos partir do princípio que os políticos são pessoas honestas e trabalhadores que dão o seu melhor pelo bem público. Ao contrário, temos que partir do oposto. E exigir que sejam eles a provar o contrário! Para que se decida depois sobre eles e sobre o futuro.

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outubro 23, 2003

O País das Comissões

Pronto: também tenho o direito de me fartar e fartei-me. Estou cansado de que ninguém localize, geograficamente, o país a que pertenço. Ou se riem por não fazerem a mínima ideia do sítio onde fica e pensarem que estou a inventar. Ou têm memorizadas uma ou duas palavras de uma qualquer canção brasileira e me associam desde logo ao Brasil. Ou, pior, à América latina por onde têm muito por onde escolher. Ou, se já tiverem estado de férias em Espanha, fazem de mim mais um dos súbditos do senhor rei D. Juan Carlos. Que, para já, ainda não sou.

Acho tudo isto particularmente esquisito e inacreditável, tanto mais que o Dr Barroso se tem cansado a dizer que o país vai estar no mapa, vai ser reconhecido internacionalmente, vai ser dos mais desenvolvidos da União Europeia - Grécia incluída! -, vai ter a gratidão do povo iraquiano que não sabe quem somos nem o bem que lhe iremos fazer. Acho que toda esta gente anda distraída, a pensar na morte da bezerra e nas possibilidades desta morrer com a doença da sua mãe louca.

Mas alterarei o meu comportamento e passarei a dizer que sou natural do país das comissões. Comissões parlamentares, em primeiro lugar. Com destaque para a de ética, cuja unanimidade, sob a batuta surrealista do Dr Lacão, ficou ainda há dias sobejamente comprovada quando deixou de haver presos políticos em consequência de um acordão do Tribunal da Relação que libertou o Dr Pedroso.

Comissões de inquérito ao desastre de Camarate que, já por mais de uma vez, concluiu ter havido mortes, mesmo que se não saiba se por acidente se por não acidente.

Comissões sobre a queda de pontes, sobre rios ou sobre estradas, nos reinos do Dr Teixeira ou do benfiquista, Dr Seara, com mortes ou sem elas.

Comissões de trabalhadores, de moradores, de vizinhos e de familiares que servem para que algumas pessoas se sintam importantes, adquiram algum protagonismo - como agora se diz, sem que eu saiba o que isso significa! - e beneficiem de algumas dispensas na hora de recolher a penates, que a patroa militarmente impõe.

Comissões que investigam, inquirem, observam, chateiam, ocupam, dão trabalho. E não concluem coisa nenhuma. Ou concluem que as suas conclusões devem ser secretas, confidenciais ou reservadas, não vá o Dr Vilarinho perder o mandato. Ou, se não for ele, outro qualquer, em qualquer lugar.

Há ainda as comissões sobre as vendas de produtos, de serviços, sobre favores, sobre direitos, sobre adjudicações, sobre concursos e até mesmo sobre comissões. Pela venda de selos, pelo fornecimento de viagens, pela marcação de uma cirurgia, pela publicação de um encómio no semanário da moda, pela empreitada da construção da auto-estrada entre raios de cima e raios de baixo, sobre um prémio do totobola que, se não saiu desta, há-de sair da próxima.

Não é exaustivo, mas creio que passaremos a ser mais e melhor conhecidos. E, se calhar, passaremos a estar à frente dos nossos parceiros europeus como muito quer o Dr Barroso. Para nosso bem!

Publicado por LFV em 07:02 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 22, 2003

Marselha - F C Porto

A sério, a sério! Quantos dos 230 deputados à Assembleia da República estarão hoje em serviço político na cidade de Marselha? É que se não deve esquecer a justificação das respectivas faltas. De preferência sem perda das senhas de presença!

Publicado por LFV em 03:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

A comunicação do Dr Sampaio

Eu, que não nasci em Lisboa e que ali não frequentei a Faculdade de Direito, creio ser de todo insuspeito. Soube alguma coisa mais a sério sobre o Dr Sampaio quando ele foi eleito para secretário geral do PS. Nessa altura a revista do jornal Expresso publicou um trabalho sobre o homem, as suas origens e o seu percurso. E recordo-me que alguém, que tinha sido seu professor, inquirido sobre o cargo para que o seu ex-aluno tinha sido eleito, dizia sem meias palavras que a situação lhe causava admiração. Apenas porque pessoalmente achava que o Dr Sampaio era demasiadamente honesto para os golpes de rins e os maniqueismos a que a actividade política obriga. A todos e aos seus dirigentes em particular.


Agradou-me que alguém que o conhecia de trás lhe avalizasse a honestidade e lhe fossem enaltecidas a cultura e a educação. Passei a seguir-lhe o percurso com certa simpatia, sabendo que, como dirigente, privilegiava os consensos em detrimento das soluções impostas.

Como se esperava, não vingou como secretário geral do seu partido, onde se aguentou por curto período. Ganhou a Câmara Municipal de Lisboa e foi levando a água ao seu moinho. Jogou cedo na sua intenção de ser candidato à presidência da república, e ganhou. Está na recta final do seu segundo e último mandato que, em minha opinião, tem desempenhado como pessoa íntegra e honesta, às vezes de maneira muito subtil e demasiadamente macia, de acordo com a sua educação e a sua cultura.

Assim sendo, e como aliás acontece com a quase totalidade dos políticos da nossa praça, o povo não o entende quando fala. E mesmo a classe política que, salvo muito raras excepções, tem também uma cultura pimba, sofre e esperneia para interpretar as suas palavras e, bastas vezes, o não consegue.

A sua comunicação de ontem, feita ao País na sua condição de Supremo Magistrado da Nação, enferma desse excesso de boas maneiras, de educação, de afirmações subtis e de subentendidos. Não admira que algumas vezes já eu tenha visto escrito que são muito mais objectivas as suas comunicações em língua inglesa, seguramente porque esta não tem a flexibilidade do português que é, também aqui, uma língua traiçoeira.

Não acredito, pessoalmente, que o Dr Sampaio tenha cedido a quaisquer pressões relativamente aos tristes e inverosímeis acontecimentos que têm povoado a nossa vida pública dos últimos meses. Da mesma forma que não duvido que terá sido pressionado nesse sentido, à semelhança de outros orgãos de soberania e de outros actores políticos ou não.

Mas seria necessário que o comum dos portugueses que, com o seu voto, também contribuiu para a sua dupla eleição, entendesse claramente aquilo que quis ele dizer e que de facto o disse. E esse português, como eu, não nasceu em Lisboa e não foi aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Nasceu pelo país dentro, às vezes mal completou a escola primária, outras abandonou a meio a escolaridade obrigatória por razões que a política desconhece e triunfalmente ignora. E hoje não se lhe chama analfabetismo mas ileteracia sendo que, no seu conjunto, aquele e esta representarão talvez mais de trinta por cento de todos os que somos, com censo ou sem ele.

Teria sido importante que o Dr Sampaio chamasse as coisas e as pessoas claramente pelo nome. Contra todos os seus princípios, desse um forte murro na mesa. Esta chafurdice em que o País foi mergulhando não vai a lado nenhum com lindas palavras e com paninhos quentes.

Porque, por este andar, acabaremos por assistir, em directo, às conversas telefónicas daqueles que, mesmo legalmente de todo, são escutados. Como se isso fosse apenas mais uma dita novela da vida real, sem que ninguém se importe com isso, a não ser com a expulsão do próximo figurante. Quem será ele? O Dr Ritto, o Sr Cruz, o Dr Ferro ou o Dr Moura? Ou outro qualquer, cujo apelido, para já, não consta da relação.

Sabe-se onde está e à responsabilidade de quem está determinado processo. Creio eu! E não se consegue saber quem é que distribui, como papel velho, documentos que dele fazem parte? Meu caro e admirado Mário Cesariny: por favor ajude a que eu perceba alguma coisa disto. Ou, se não tiver disponibilidade, meta uma cunha ao Sr Luís Pacheco! Em cujo reino continuamos a viver, para mal de todos.

Publicado por LFV em 12:19 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 21, 2003

Luís Figo e o Euro 2004

De Madrid, rico e famoso, com 31 anos de idade, um palmarés superior ao do Dr Madail, quase cem participações ao serviço da principal selecção portuguesa, não sei quantos golos marcados, Luís Figo anunciou que iria abandonar a representação nacional depois do Euro 2004, o último grande estigma da megolomania nacional.

E foi dizendo aquilo que toda a gente de mero senso comum deveria saber. Ou não ter esquecido. Que afinal não somos os melhores, como nos convenceram quando embarcámos para o México sob as ordens de José Torres da columbofilia ou para a Coreia do Sul, sob a batuta de António Oliveira da Olivedesportos. Que, antecipadamente, não somos mesmo os melhores para o Euro 2004 em cujo velho continente se vão passeando Franças, Alemanhas, Espanhas, Itálias, Inglaterras.

Uma pedrada no charco ou na chafurdice do futebol nacional. Que, como o país, não tem nem vergonha, nem emenda, nem remédio. E que nunca mais se convence que o grande engano nacional que deu certo foi o de Pedro Álvares Cabral na sua gloriosa caminhada para a Índia.

Publicado por LFV em 03:27 PM | Comentários (1) | TrackBack

Imagens do quotidiano vulgar - 1

Quando ontem, a pé e ao início da noite, me dirigia a casa, fui abordado por dois emigrantes de leste. Provavelmente ilegais, seguramente sem trabalho, sem alojamento e sem alimentação. O acto não é invulgar. Bem ao contrário, é cada vez mais frequente, em todas as cidades, vilas e aldeias deste pequeno país.

Um deles, pronunciando com dificuldade algumas palavras em português, pedia tanto como a moeda necessária para comprar um pão. Respondi-lhe que, se o quisesse, me acompanhasse porque entraria na primeira padaria e lhe daria o pão que me pedia.

Acompanhou-me, balbuciando algumas palavras em inglês. Língua que depois concluí não conhecer porque não foi capaz de compreender as respostas que lhe fui dando. E, mesmo que o meu inglês não seja de primeira, creio que no mínimo é inteligível sem grandes esforços.

Não resolveu coisa nenhuma aquilo que, a troco de algumas duas moedas, lhe dei no estabelecimento em que ambos entrámos. Mas dá que pensar, mais do que nunca.

Esta gente vem de longe, de países ainda mais pobres do que o nosso, onde não ganhavam para a subsistência, nem própria, nem da família. Correram riscos e endividaram-se, gastando aquilo que não tinham. Aqui chegados estão desde logo impedidos de regularizar a sua permanência. Ilegais, sem emprego, sem dinheiro, sem alojamento, arrastam-se pelas ruas e arrumam-se pelos cantos mais esconsos de alguns parques.

Muitas vezes são vítimas continuadas de compatriotas seus, que os exploram e lhe vão extorquindo o que conseguem, se o conseguem. E, como se isso não bastasse, vem ainda ao de cima, bastas vezes, a prática esclavagista de compatriotas nossos, portugueses, que os exploram também a troco de um caldo muitas vezes frio, muitas vezes intragável.

E que fazem os nossos poderes públicos? Aquilo que de há muito nos habituaram a fazer: nada! Fazem reuniões atrás de reuniões, olham para o umbigo, frequentam saraus e jantares no Casino do Estoril. E esperam que o próximo ano, apesar da apregoada austeridade da Dra Manuela Leite e da anunciada contenção dos salários, o sistema lhes permita trocar de carro (de serviço, obviamente) e aumentar alguma coisa ao limite do cartão de crédito que utilizam.

Por estas e por outras é que o Sr José Vilhena é quase o único historiador credível da nossa realidade contemporânea. Porra, que é demais!

Publicado por LFV em 10:02 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 18, 2003

92.º aniversário da minha Mãe

A minha Mãe completou hoje 92 anos de idade. É, para mim, que sou filho único, o facto mais relevante do dia. Mesmo sem as televisões com as câmaras apontadas à porta, as emissoras de rádio à espreita e os jornais e revistas a solicitarem entrevistas. Que também, nenhum de nós, se apressou a oferecer, livres de honorários.

Mas que bom foi e que bom é ver-te, minha Mãe, velhinha mas lúcida e escorreita, apenas socorrendo-te ligeiramente de uma bengalinha de apoio. Que bom foi ver-te feliz e contente, comigo, com os netos e com os amigos próximos à tua volta.

E eu, que tantas vezes me tenho queixado das vicissitudes da vida e das traiçoeiras atitudes dos homens, sinto-me um homem feliz. Porque não pode deixar de ser feliz quem, como eu, está ao lado da sua Mãe quando esta completa 92 longos anos de vida.

Parabéns luz que guia a minha vida. Deus te conserve, como foste e como és. Até daqui a um ano, para que sejas de novo a minha notícia do dia!

Publicado por LFV em 09:03 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 17, 2003

Dia internacional para a erradicação da pobreza

Segundo os jornais comemora-se hoje o Dia internacional para a erradicação da pobreza!

O facto de haver um dia com tal designação é, naturalmente, uma hipocrisia e uma afronta a quantos são pobres.

Fica apenas a pergunta: que acções que visem não já a erradicação mas apenas a redução da pobreza foram hoje decididas? E por quem? Que organismos públicos e privados e que ricos se envolveram no processo? E que contributo vão dar hoje e amanhã e todos os dias seguintes para atingir esses objectivos?

Porque nenhuma pobreza se erradica com seminários ou com cimeiras de políticos e ricos bem nutridos e ainda mais egoístas que, como o Sr Bill Gates, vão vendo crescer de ano para ano, exponencialmente, as suas fortunas.

A pobreza não se extermina com intenções mas com actos concretos. O resto é apenas conversa para boi dormir!

Publicado por LFV em 06:18 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 16, 2003

Papa João Paulo II

Hoje, quando se celebram 25 anos sobre a eleição do Papa que, mesmo velho, doente e fragilizado, continua lúcido, quero apenas, respeitosamente, registar a efeméride. Não sendo praticante, saliento as muitas tentativas que fez no sentido de reduzir injustiças de todo o tipo, por todos os cantos do mundo. Quase sempre com pouco sucesso ou mesmo sem sucesso nenhum. E os poderosos responsáveis políticos? Que tentativas fizeram?

Publicado por LFV em 04:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 15, 2003

O cortejo do Dr Pedroso

Na semana passada o Dr Pedroso foi libertado do regime de prisão preventiva em que se encontrava, por decisão proferida pelo Tribunal da Relação. Na altura entenderam ele e o seu partido dirigirem-se triunfalmente à Assembleia da República como se estivesse ganho o Mundial da Coreia ou o Euro 2004. Alguns deputados choraram e outros emocionaram-se. E um deles até, em português que toda a gente percebe, clamou por respeito, porra!

O Dr Pedroso, definitivamente, tem vocação para a política. Porque, se a não tivesse, nunca teria participado naquele cortejo grotesto e, mesmo depois dele, se teria contido em vez de se multiplicar em entrevistas aos jornais do país. Apenas porque o Tribunal da Relação, por dois juízes a um, o não ilibou de coisa nenhuma: ele era e continua a ser arguido no processo conhecido como da Casa Pia. E não era mais arguido por estar submetido ao regime de prisão preventiva. Nem sequer passa a ser menos arguido por lhe ter sido aplicado apenas o termo de identidade e residência.

Mas a sua vocação política fá-lo comportar-se como político num processo de natureza criminal e que, de político, apenas o inclui como arguido que tem esse meio de vida. O seu propósito, para já, passa por declarar-se inocente aos quatro ventos. O que é legítimo, sem precisar de ser afixado em anúncios televisivos de duração ilimitada. Porque até agora não foi acusado de coisa nenhuma e se diz a toda a gente que só será considerado culpado se vier a ser acusado, se for condenado em julgamento e se a sentença que o condenar tiver transitado em julgado. Quer dizer, apregoar a sua inocência, é apenas chover no molhado.

Diz ir assumir o seu cargo de deputado para se não refugiar no ambiente tranquilo da sua casa. Mas, como deputado, o Dr Pedroso está ao serviço do país que o elegeu. E o país não é ele, para que faça do seu caso pessoal uma questão fulcral na miserável vida política do país. Como deputado deve interessar-se por todos aqueles que, presos preventivamente, não têm acesso a dispendiosos advogados nem a todos os meios de comunicação, que não vendem mais se os forem ouvir.

O que aparentemente o Dr Pedroso pretende com o seu regresso imediato ao parlamento é utilizar o mandato para que foi eleito em benefício próprio. O que é mais que lamentável, mas que não deixa de ser previsível. Como deputado deveria naturalmente preocupar-se com todos os presos preventivos, com os indícios que os mantem nesse regime, com a duração dessas prisões preventivas, com a celeridade da justiça que não ocorre. Porque o seu assunto pode ser de facto o mais importante. Mas para si, pessoalmente. Nunca na sua condição de deputado à Assembleia da República.

Mas quando as coisas se confundem e as pessoas não conseguem separar o trigo do joio!...

Publicado por LFV em 05:14 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 14, 2003

Nascimento

Este blog nasce hoje. Para ser um placard onde, com regularidade, vão sendo afixados comentários sobre a actualidade do país. Tanto quanto a imaginação o permitir, irónicos e implacáveis, face às permanentes contradições existentes sobre todos os factos da vida nacional.

Não se pretende que seja literário. Mas vai tentar-se que, ao menos, seja escrito em português corrido, escorreito e o mais correcto possível. Mesmo sem utilizar os manuais recentes que incluem o regulamento do Big Brother e fotografias dos participantes. E de que não constam, apenas por impossibilidade, os diálogos cultos e os vocábulos raros.

Aceitará comentários, sugestões e colaborações. Naturalmente seleccionadas ao critério do responsável, não passível de recurso. Nem para a Relação, nem para o Tribunal Constitucional.

E por aqui me fico, por hoje. Apenas para anunciar o nascimento!

Publicado por LFV em 09:52 PM | Comentários (1) | TrackBack