Felizmente, quem tem amigos não morre na cadeia e, se tiver dinheiro, ainda a abandona mais depressa ou nem sequer lá vai dar com os costados. Segundo dizem, porque ainda faltam casos concretos que suportem a asserção, como é do domínio público e da memória do Sr Vale e Azevedo. E, sendo assim, ultrapassado o curto período de férias a que os deputados têm inalienável direito e o seu profícuo trabalho largamente justifica, teve a sorte pelo seu lado e assinou contrato a termo como deputada. Apenas por necessidades momentâneas, decorrentes da excessiva carga de trabalho acumulado durante o veraneio, disse-lhe quem a admitiu e assim, letra por letra, passou a escrito numa das cláusulas do contrato.
Mas o mal de uns é a sorte de outros. Mal tinha ficado dias antes o Sr Mira Amaral, privado do satisfatório ordenado que lhe pagava a Caixa Geral de Depósitos, remetido para a faixa da população não activa com uma pensão de reforma de curtos 3.600 contos mensais que o obriga a apertar o cinto como sugere o governador do Banco de Portugal e impõe o ministro das finanças. Valha o facto de poder utilizar o passe social e de viajar nos comboios beneficiando dos descontos para a terceira idade para visitar a descendência e conhecer as ruínas de Miróbriga.
Bem fica a D. Celeste que, pelo sim pelo não e à cautela, tinha em tempos deixado uma ficha de inscrição na direcção de recursos humanos da Caixa Geral de Depósitos, sendo informada que não havia vagas. De repente abre-se assim uma e a sua ficha de inscrição está no topo da resma que se acumula em cima da mesa do amanuense que as guarda. Sorte tem ainda quando a análise do seu currículo é confiada ao deputado Gonçalo Capitão - um espécime que, Deus me perdoe e a Disney não dê pelo plágio, me sugere de imediato o sortudo pato Gastão, vaidoso, convencido e inútil - que lhe descobre qualificações que ela mesma nunca imaginou possuir. E o emprego, em consequência, lhe é entregue. Anda feliz como se este fim de semana fosse o baile de debutantes em que vai ser apresentada à fina sociedade de Cascais. E ainda mais porque sente que contribui positivamente para a retoma que José Barroso deixou como herança e deixa de ser apenas um número nas estatísticas do desemprego. Quem lá continua a figurar, sem o espírito patriótico de aceitar o primeiro trabalho, é o trolha de S. Pedro da Cova. E o carpinteiro de limpos de Arcozelo. E os caixeiros de Miragaia. Um a um, como números!
Mas esses números que representam os trolhas, os carpinteiros, os serralheiros etc., deixarão de o ser no dia em que o Estado que somos todos nós nos proporcionar mudar os nossos representantes. Nessa altura o oportunismo desta celestial governação terminará.
Afixado por: congeminações em setembro 24, 2004 10:19 PMEu fui ao jardim(da) Celeste
Giroflé. flé, flá....