Já tem nome: chama-se código da estrada e a escolha dos padrinhos esbarra na fila interminável dos pretendentes e voluntários. E também, sabiamente, tem um único e enorme objectivo: por fim, por decreto, à elevada taxa de mortalidade que é a imagem de marca das estradas portuguesas. Seguindo um método simples e linear que tal é o de aumentar o valor das multas - coimas, na versão erudita - a limites que, depois, impeçam os infractores de pagar atempadamente a prestação da casa e de adquirir os cadernos escolares para os filhos.
O sucesso está antecipadamente garantido em duas grandes vertentes. Por um lado, aumentará as receitas do orçamento de um conhecido adepto do Benfica, requisitado para ministro, auxiliando-o no controlo do famigerado défice. Por outro, reduzirá progressivamente a mortalidade nas estradas, simplesmente à custa da falência dos condutores. Sairia de facto muito mais dispendioso ensiná-los a conduzir, incutir-lhes algumas regras básicas de civismo, sinalizar convenientemente as estradas ou até limitar tecnicamente a velocidade a que os automóveis correm para a bandeira de xadrez.
Com estas alterações ao Código da Estrada o governo apenas vai aumentar a receitas proveniente das coimas. Porque aqueles que através das manobras perigosas que praticam e ocasionam acidentes de viação graves e mortais, pagam com a vida. Os níveis de sinistralidade vão continuar a ser semelhantes.
Afixado por: congeminações em setembro 24, 2004 12:22 AMNesta terra procura-se sempre a solução mais fácil e rápida, se é que algumas são soluções. Realmente o nosso grande problema é o grande défice de educação a todos os níveis, como se tem podido constatar.
Afixado por: vmar em setembro 24, 2004 09:14 AM