Mas que analogias levam ao título deste post? Em boa verdade e aparentemente, rigorosamente nenhumas, a não ser o absurdo. Tanto quanto se sabe a febre carraça não é frequente nos dias que correm, ao nível de países desenvolvidos que, como este, é convictamente europeu, tem deputados em Estrasburgo, forneceu um presidente para a comissão europeia e, decisivamente, enviou uma centena de militares da GNR para, pacificamente, implantar a democracia no Iraque. Já assim não acontece com os inquéritos parlamentares que a oposição, em uníssono, passa os dias a requerer no parlamento sobre todas as questões e com a mesma e única inútil perspectiva: a do lançamento imediato para o cesto dos papeis. Porque a sua viabilidade nem sequer é analisada pela maioria que às vezes se reúne em plenário para o voto e mensalmente se alinha nas máquinas do multibanco a assegurar-se de que lhes terão já sido pagos os sofríveis honorários que recebem por tanto honrarem a instituição e o país. Linearmente, sobre a conveniência e a oportunidade dos inquéritos é o imigrante Guilherme Silva que dispõe.
Depois, ao que parece e desde que diagnosticada, a febre carraça é inócua desde que combatida com um vulgar antibiótico. Raramente mata, a não ser em países do terceiro mundo onde a sua aparição é mais frequente. E em Portugal ainda se tem memória de que o último cidadão a associar-nos ao terceiro mundo foi Melo Antunes. Como também se sabe que isso lhe não melhorou o currículo, não facilitou promoções, não ofereceu cargos e subsistem mesmo dúvidas se, em parte, não terá morrido vítima de tal heresia. Os inquéritos parlamentares são, ao invés, coisa séria, que vasculham recônditos aspectos e se debruçam sobre ínfimos pormenores durante tempos intermináveis. Concluindo sempre que ainda não concluíram e que, para satisfação de Álvaro Barreto, nunca acabam. Quem inquire, se estiverem atentos, fá-lo sempre envergando fato e gravata, o cabelo domado à força de gel - o dos não carecas, é claro! - e com o aspecto grave de quem decide sobre a reeleição de W. Bush, a captura de Bin Laden ou a interdição de Cat Stevens. O tratamento é sempre por vossa excelência, em obediência ao regimento e a Mota Amaral. Nem José Castelo Branco ou Paula Bobone são tão formalmente protocolares!