Li a notícia com a naturalidade europeísta de quem sabe que, em Portugal, posição idêntica pode ser facilmente assumida por qualquer pessoa, do presidente da república ao comandante dos bombeiros de um qualquer concelho que arde todos os anos, por esta altura. O segredo bancário em Portugal não é notícia, até porque não afecta as contas sediadas em seguros e discretos "offshores", para onde nem sequer há voos regulares ou correio directo. Tão pouco o enriquecimento aparentemente sem causa. Em Portugal apenas se enriquece de uma maneira: com os ganhos da especulação bolsista. As cotações da bolsa sobem, ganha-se. Descem? Ganha-se na mesma. Não se mexem, nem para cima nem para baixo? Ainda assim se ganha. Com a certeza de que os ganhos conduzem ao enriquecimento inevitável, quase sempre acidental, quantas vezes até indesejado. Nada se pode fazer para contrariar os insondáveis caprichos do destino. E o destino, como se sabe, marca a hora. A lista dos milionários que a bolsa produz cresce de ano para ano. Até mais do que aquela que vai crescendo com a crise da indústria textil do vale do Ave onde os prejuízos continuam a ser investidos em moradias de luxo, em automóveis de topo de gama e em namoradas de países de leste. Por isso os industriais reclamam contra a insuficiência das ajudas do Estado, berram pela alteração imediata das incompreensíveis leis laborais e esperam pelo aumento da produtividade. O ministro promete satisfazer-lhes a vontade e dar seguimento às suas justas reinvindicações.
A questão do segredo bancário só realmente pode ser notícia do peru e, a sua quebra, porventura consequência de perua ainda em fase de ressaca. Ou no Peru, país distante, quase com nome de galinha, latino-americano, que apenas se sabe ficar em casa do diabo mais velho, terceiro-mundista e, portanto, perfeitamente desprezível.
Muito oportuna a abordagem para mais de um País da américa látina, comparável ao nosso em termos europeus, embora tenha havido um político com a coragem suficiente para tomar uma tal medida. Agora podemos estar certos que nós os terceiros mundistas europeus, jamais teremos alguém que através do seu cargo político, tenha idêntica coragem.
Afixado por: congeminações em julho 29, 2004 07:47 PMsubscrevo inteiramente o coment do congeminações.
Um abração do
Zecatelhado