O seu quotidiano é caótico. Divide-o entre a política, os negócios e o ensino - só começando a trabalhar depois das 11h00 da manhã - e as noites tempestuosas nas discotecas de Lisboa e do Algarve. Participa num cruzeiro pelo Mediterrâneo, surgindo nas fotografias das revistas cor-de-rosa com um colorido lenço em volta da cabeça, à maneira de um pirata. Apaixona-se por uma jovem cujo pai ameaça dar-lhe um tiro de caçadeira. As zangas e reconciliações com Cinha Jardim são cíclicas e passam a integrar a liturgia das crónicas mundanas nacionais.
Um político africano que o teve como professor na Faculdade de Direito de Lisboa, não resiste à comparação com Marcelo Rebelo de Sousa: Marcelo é sabedor, estudioso, brilhante. Santana nem preparava os pontos que nos marcava. Não compreendo a direita portuguesa - entre o génio e o preguiçoso, prefere o preguiçoso.
Fora da política, as experiências redundavam em fracasso, como a presidência do Sporting, direcção da qual saiu corrido e acusado de despesismo e ineficácia; ou a sua passagem meteórica pela Amostra, departamento de sondagens da Universidade Moderna... A sua presença na comunicação social torna-se obsessiva, desde jornais até televisões... Chega ao ponto de caricaturar o próprio desejo quando participa no programa A Cadeira do Poder, da SIC, onde perde o lugar de primeiro ministro virtual para José Manuel Torres Couto e o apresentador, Artur Albarran, lhe entrega um cheque em directo.
Em Dezembro de 2001 ganha a presidência da Câmara de Lisboa. Prometeu tudo a toda a gente: o túnel no Marquês de Pombal que permite a entrada de mais automóveis em Lisboa; o fecho das faixas laterais da Avenida da Liberdade, enquanto toda a via não pudesse ser encerrada ao trânsito; tornar o transporte público fashionable, proibição de automóveis em certos bairros históricos, mas parques de estacionamento por todo o lado; hotéis de charme e esplanadas no Terreiro do Paço; recuperação do Parque Mayer, com regeneração da revista à portuguesa; liberdade para a iniciativa privada, mas ameaça de expropriação aos proprietários que tardassem na rcuperação dos seus prédios; casas para jovens no centro da cidade e regresso em quatro anos de 200 mil pessoas que haviam abandonado a capital; piscinas, pavilhões desportivos e jardins em todas as freguesias; e, cereja em cima do bolo para alegrar até a extrema esquerda, a possibilidade de salas de chuto. Que resta hoje destas promessas?
Depois disto apenas se não compreende como Miguel Sousa Tavares, depois do Tabagismo e do FCPortismo, adquiriu outro vício extremado: o Anti-Santanismo. Afirma, com total desplante, que «Santana tornou-se possível essencialmente por culpa nossa, dos jornalistas, entre os quais directamente me incluo. Sempre lhe desculpámos o vazio ...». Ora isto é absolutamente falso: todos os jornalistas dos jornais de opinião sempre embirraram com Santana Lopes, sempre o abominaram, sempre zombaram dele como vítima da exclusão cultural.