Tivesse o teu país sabido merecer-te e ninguém daria pelo facto de hoje, compacta e insistentemente, apenas se falar de ti e se ouvir aquele conjunto de sons impossíveis que só tu conseguias arrancar ao conjunto de doze cordas tensas. Enquanto tu, discreto, pelo fim da madrugada, seguias tranquilamente o teu caminho, carregando a guitarra às costas, caminhando lento e desengonçado, o sorriso mordaz encovado no fundo dos olhos tristes e inquietos. Hoje não acabou nada porque, como na química, nada se perde e tudo se transforma. Não é tempo de despedidas nem de invocações. Nada mudou! No pino do Verão Lisboa espera uma temperatura máxima de 34 graus centígrados. Deixa-nos com tudo o que foste e com tudo o que és. Como sempre, não são necessárias as palavras que sempre te embargaram a voz. Tão só te basta a agilidade dos dedos e o turbilhão de ideias com que, estarrecidos, nos quedamos a ouvir-te. Para sempre!
Acima do mais, perdemos um Homem com letra grande!
Afixado por: carlos a.a. em julho 23, 2004 11:47 AMComo de costume neste País só se homenageia quem o merece a título póstumo.
Afixado por: congeminações em julho 23, 2004 09:54 PME ainda há quem, não ouse libertar a lágrima fugidia que a saudade do homem, ora desaparecido, (pese embora a arte fique no vinil), do seu olhar singelo e amigo como muito poucos…