Depois a forma como os ministérios foram arrumados e as modernas designações que lhes foram atribuídas. Desde logo, por exemplo, o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território para que foi nomeado o Dr Luís Nobre Guedes, amigo próximo e incondicional do titular dos assuntos do mar, correlegionário do Dr Paulo Portas e destacado militante do CDS, também conhecido por PP. Ao que consta, todavia, o Dr Guedes não é ministro, é presidente de uma comissão liquidatária porque ele próprio, em tempos, teria advogado a extinção daquela pasta. Sendo assim vai seguir-se, sem concurso público e por ajuste directo, a venda ao desbarato e eventualmente por lotes das tralhas sem préstimo que de há tempos vêm sendo acunuladas pelos serviços. Provavelmente alguns dos proveitos daí resultantes aparecerão, no futuro, em tranquilas contas bancárias abertas na Suiça, em nome de um discreto e bem sucedido motorista de táxi.
Agora vêm Os Verdes que, como a alface e o agrião, são quem está mais próximo do ambiente, contestar a nomeação e invocar a incompatibilidade do cargo atribuído ao Dr Guedes com os cargos que desempenha ou desempenhou e com o rol de clientes de que o seu escritório de advogado cobra honorários. O ministro, à maneira democrática que professa, recusa comentar. Nunca foi de dar confiança a vermelhos, quanto mais a verdes. A única cor que tolera, de longe e de sempre, é o azul. E, mesmo assim, sempre entendeu que as listas brancas estavam a mais. Então ser presidente da assembleia geral de duas sociedades tem alguma importância? Prestar serviços à sociedade das reciclagens - por ironia designada por Ponto Verde - merece algum reparo? Naturalmente que não e que, como dantes, quartel general em Abrantes e está tudo bem.