abril 19, 2004

Foi tão boa a tormenta como o esqueleto

Era inevitável! O assunto Ernestina Miranda, ex-vereadora da Educação da Câmara do Porto, depois do registo absurdo dos dislates da própria, trouxe à televisão, como concorrentes deste inferior Big Brother que é a política, o Dr Rui Rio e o Eng Nuno Cardoso.

O primeiro afirmando-se como o guardião incorruptível da honestidade e da lisura de processos. Asseverando que com ele não há corrupção tolerada porque, como Egas Moniz, ele está pronto, de corda ao pescoço, para a sentença final caso isso venha a acontecer. Mas enganou-se porque o que está em causa com a professora Ernestina não é, para já, um caso sofisticado de corrupção. É muito mais linearmente e em linguagem vulgar um caso simples de roubo. E a sua vereação, com matizes diferentes, porque razão haveria de ser diferente das outras?

O segundo, ex-presidente da Câmara do Porto, funções a que ardentemente deseja voltar para benefício dos portuenses, se souber de engenharia o mesmo que sabe de auditoria é melhor que ninguém o empregue nessa condição. E se politicamente gerir a autarquia com a mesma habilidade com que geriu a sua intervenção sobre este caso, é melhor dar-lhe emprego no cemitério do Prado do Repouso, como coveiro.

Veio ele dizer que a auditoria foi realizada por um gabinete que ele próprio criou para auxiliar a Câmara a melhorar os seus procedimentos. Indirectamente reclamou os méritos da criação dos serviços. Para sugerir que não faz parte das suas funções a descoberta de roubos e desvios. E que, para além disso, a professora Ernestina não tinha sido confrontada com a situação. Nuno Cardoso equivoca-se, o que não é raro. Ele mesmo disse ter criado um gabinete de auditoria e não uma polícia de investigação. Os auditores fizeram o seu serviço e reportaram os respectivos resultados à entidade de que dependem. O resto é caso de polícia!

Diz-se habitualmente que foi pior a emenda do que o soneto. Neste caso foi tão boa a tormenta - da professora Ernestina - como o esqueleto, do Eng Nuno Cardoso! Mais valia estar calado! Ou, ao menos, ter visto primeiro os documentos publicados na edição de hoje do Jornal de Notícias.

Publicado por LFV em abril 19, 2004 10:40 PM
Comentários

Há alguma instituição que se salve?
Será que estamos na completa podridão?
Será que já não há salvação possível?

Afixado por: vmar em abril 21, 2004 06:16 PM