O primeiro afirmando-se como o guardião incorruptível da honestidade e da lisura de processos. Asseverando que com ele não há corrupção tolerada porque, como Egas Moniz, ele está pronto, de corda ao pescoço, para a sentença final caso isso venha a acontecer. Mas enganou-se porque o que está em causa com a professora Ernestina não é, para já, um caso sofisticado de corrupção. É muito mais linearmente e em linguagem vulgar um caso simples de roubo. E a sua vereação, com matizes diferentes, porque razão haveria de ser diferente das outras?
O segundo, ex-presidente da Câmara do Porto, funções a que ardentemente deseja voltar para benefício dos portuenses, se souber de engenharia o mesmo que sabe de auditoria é melhor que ninguém o empregue nessa condição. E se politicamente gerir a autarquia com a mesma habilidade com que geriu a sua intervenção sobre este caso, é melhor dar-lhe emprego no cemitério do Prado do Repouso, como coveiro.
Veio ele dizer que a auditoria foi realizada por um gabinete que ele próprio criou para auxiliar a Câmara a melhorar os seus procedimentos. Indirectamente reclamou os méritos da criação dos serviços. Para sugerir que não faz parte das suas funções a descoberta de roubos e desvios. E que, para além disso, a professora Ernestina não tinha sido confrontada com a situação. Nuno Cardoso equivoca-se, o que não é raro. Ele mesmo disse ter criado um gabinete de auditoria e não uma polícia de investigação. Os auditores fizeram o seu serviço e reportaram os respectivos resultados à entidade de que dependem. O resto é caso de polícia!
Diz-se habitualmente que foi pior a emenda do que o soneto. Neste caso foi tão boa a tormenta - da professora Ernestina - como o esqueleto, do Eng Nuno Cardoso! Mais valia estar calado! Ou, ao menos, ter visto primeiro os documentos publicados na edição de hoje do Jornal de Notícias.
Há alguma instituição que se salve?
Será que estamos na completa podridão?
Será que já não há salvação possível?