Mas ainda quanto a Ernestina Miranda, eminência parda de três mandatos, primeiro ao serviço de Fernando Gomes e depois de Nuno Cardoso. Uma auditoria agora realizada chega à conclusão, brilhante para o currículo da dita, que 23 cheques totalizando 61.000 euros e mais 40.000 euros em dinheiro foram recebidos das escolas, para pagamento das refeições fornecidas aos respectivos alunos, mas não deram entrada nos cofres da autarquia. Muitos desses pagamentos foram feitos contra a entrega de documento de quitação assinado pela própria vereadora. Alguns cheques foram emitidos em seu próprio nome o que, sem necessidade de mais investigações, configura linearmente o crime de apropriação indevida de fundos.
Como reagiu Ernestina Miranda quando confrontada com a situação? Politicamente! Limitando-se a negar quaisquer responsabilidades no desvio de verbas e asseverando que tinha a maior confiança no funcionário que tinha a seu cargo esse serviço. O que, obviamente, é digno de pessoa que não bate bem da bola. A vereadora era ela, a responsável é ela. Ponto final. Pior do que isso! Quando de forma rasteira qualifica de ladrão um funcionário em quem depositava a maior confiança estará também a referir-se aos cheques em seu próprio nome? E aos recibos de quitação que ela própria assinou?
Só falta vir a público para dizer que, mesmo estando disposta a isso, não pode extrair da questão as conclusões políticas imediatas porque, entretanto, deixou de tutelar o pelouro. Quando o caso é simplesmente um caso de polícia. Por quaisquer cem euros qualquer operadora de caixa do Continente já teria sido detida. Esta, se calhar, pira-se para a praia de Copacabana. Ainda por cima cheia de razão!
É impressionante como esta senhora pretende fazer crer que confiava piamemte no funcionário a quem ela endossava os cheques não sabendo se o mesmo os depositava nas contas bancárias da autarquia, partindo ela como o referiu perante as câmaras de televisão, que o referido funcionário o faria. Santa ingenuidade ou perfeita estupidez a da dita vereadora. Como se passe pela cabeça de alguém que se lida com dinheiros desta forma tão despreocupada.
Afixado por: congeminações em abril 19, 2004 11:30 PM