Hoje Santana, na condição de vice-presidente do PSD para que o não confundam com presidente da câmara, confessa-se no Diário de Notícias, nestes termos: Não sei quantos cantos ao certo seriam devidos para descrever as musas que me têm aparecido ao longo da vida. Nem todas têm trazido apenas bons momentos. E é natural que nenhum de nós possa satisfazer todas as musas. Considero uma injustiça haver uma Casa Fernando Pessoa em Lisboa e não haver uma casa dedicada a Eça de Queirós. Também concordo que será bonito haver uma casa dedicada a Cesário Verde. Depois as injustiças, em segundo lugar. Há muito mais gente a precisar e a merecer a deferência. Uns vivos, outros não. É preciso saldar dívidas do seu consulado para com Saramago, que até está por cá. E amanhã terá de certeza no seu gabinete os pedidos formais, expedidos por correio azul, do professor Freitas do Amaral, de Mário Cesarini, de Urbano Tavares Rodrigues. Calado e de sobronho carregado, António Lobo Antunes há-de aparecer-lhe a meio da manhã, a pedir-lhe a chave. E a saltitar, lançando gritinhos estridentes, há-de aparecer-lhe, para o almoço, a Margarida Rebelo Pinto. A saber se lhe destinou casa em algum dos bairros sociais e se lha entrega!
Bem, vamos por partes e, sendo assim, comecemos pela primeira. O que este gajo vem dizer à malta é que nem os dez cantos dos Lusíadas chegariam para albergar todas as musas em que se tem inspirado. Mas não se nota nada, pelo menos no que respeita a obras de cultura. Apareceu agora um livreco, dez anos depois, sem merecimento. Mas ele confessa e diz que nem todas lhe têm trazido bons momentos. O maganão! Afinal tem estado apenas nessa, de curtir. E assume que é natural que se não possam satisfazer todas. O que, no caso dele, a fazer fé nos boatos, deve ser verdade. Mas deve-se tentar. Além disso hoje há outros recursos, é questão de se informar.