fevereiro 28, 2004

Se o ridículo matasse o Sr Catarino não terminava o mandato

Boa noite a toda a blogosfera. Com licença do Dr António Lobo Antunes, boa noite também às coisas aqui em baixo. Hoje voltei a Ourém e acabo de regressar. A cidade continua intransitável, com obras em pleno centro, que nunca mais terminam. Tudo ao mesmo tempo, tudo no período de inverno, tudo a monte e fé em Deus, segundo a táctica do José Maria Pedroto.

Dá para, infelizmente, confirmar a imbecilidade com que foram arrancadas árvores cujas idades, de longe, suplantavam a idade física e mental da ilustre vereação. Ficou-me, de longa data, uma muito feliz frase de Manuel da Fonseca que dizia que "antigamente o largo era o centro do mundo". Referia-se, segundo presumo, a Santiago do Cacem, a sua cidade de sempre. Onde, majestoso, continua imutável o velho largo em frente ao edifício dos paços do concelho.

É mais pobre o espaço que circunda os paços de concelho de Ourém. Incaracterístico, desordenado, abandonando o edifício da câmara sem enquadramento em coisa nenhuma e a combinar rigorosamente com nada. E onde nada foi feito, se calhar à semelhança do que acontece no interior com a vereação. Que, apesar disso, plantou já há tempos uma modernice de uma rotunda na entrada ocidental da cidade, com um monstruoso mamarracho rodeado de calhaus por todos os lados e uns cilindros evocando as freguesias do concelho cujos nomes, praticamente, se não conseguem ler.

O largo, o do alentejano Manuel da Fonseca, nesta transição para o Ribatejo, em frente ao Café Central, morreu. As árvores foram arrancadas, calcetou-se tudo de novo, num arranjo que não diz com os edifícios fronteiros. Com pretensões de grande cidade, onde a mesma solução é ainda mais estúpida, plantaram-se pinos cuja função, teoricamente, será impedir o estacionamento em transgressão. Não impedirão coisa nenhuma, serão torcidos, partidos e arrancados como vem acontecendo nas cidades onde já foram adoptados. Porque também nisso Ourém é única: não há onde estacionar em lado nenhum. Mas, mesmo assim, há parcómetros ao longo de toda a avenida que, recorde-se, é a estrada que liga Leiria a Tomar.

Mas, seguramente, é rica a câmara e não tem problemas cruciais a resolver, pelas prioridades que estabelece. Sei, pessoalmente, que isso não é verdade. Cada freguesia do concelho é um problema agudo. Algumas delas, se calhar, só vêem o Sr Catarino em véspera de eleições, quando vai distribuir vídeos inúteis pelos lares de idosos que, em suas casas, vivem muitas vezes em condições perfeitamente indignas.

Publicado por LFV em fevereiro 28, 2004 10:24 PM
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