Crisóstomo Teixeira é o presidente da CP onde, mesmo não havendo lucros, não ganhará o salário mínimo e não prescindirá do uso de carro de serviço, topo de gama, e de cartão de crédito que, como se sabe, são ferramentas essenciais a qualquer inovador método de gestão. Mas ao menos este justifica tudo o que se investir, pelos métodos verdadeiramente inovadores que vem implantando na empresa.
Recentemente e com o pretexto de tornar a duração da viagem Porto-Vigo mais curta decidiu-se pela supressão da paragem na estação da Trofa, a cerca de 20 quilómetros do Porto. Medida de aplaudir, naturalmente. Tempo é dinheiro e enquanto não houver TGV a malta que sai do Porto, de comboio, para ir ao marisco aos restaurantes galegos nunca mais lá chega. Palmas, portanto.
Depois disso, e a pedido de um grupo de excursionistas, permitiu que o mesmo comboio fizesse uma paragem para que se pudesse ir comer uma lampreia à bordalesa, copiosamente regada com um verde tinto de estalo que se produz na região. Claro que a atitude é igualmente de aplaudir. Se os excursionistas não tinham urgência especial em estar à porta do El Corte Ingles, se lhes sobrava o apetite para a lampreia e se tinham dinheiro no bolso que a pudesse pagar, a paragem serviu muito justamente para dinamizar a economia regional. Palmas também, portanto.
O que é pena é que um homem destes esteja a perder-se na gestão de uma empresa pública que custa todos os anos milhões de contos aos bolsos dos contribuintes. Deveria ser aproveitado para tarefas mais nobres e mais de acordo com a sua real vocação e com a novidade dos seus procedimentos. Seguramente o Dr Barroso se não esquecerá dessas qualidades e, a bem do país, as aproveitará. Esperamos que o Dr Sampaio também se não esqueça e tome em consideração o desempenho do homem no próximo 10 de Junho. Agraciando-o e pendurando-lhe ao pescoço a comenda de qualquer coisa. Ele merece!
Estes gestores de empresas públicas crónicamente
deficitárias deveriam ser além de agraciados citados como exemplo da sua competência por estas
decisões de um alcance económico que não é possível serem praticadas em empresas privadas
com este resultado tão palpável, cujo resultado é a manutenção do défice continuado.