Um pequeno apontamento, por exemplo, recorda-me hoje que em 1996, vitimado por um "very light", morreu no estádio nacional um adepto do Sporting que dava pelo nome de Rui Mendes. Os tribunais condenaram a Federação Portuguesa de Futebol, a que preside o Dr Gilberto Madail - um vilão, está à vista! - a indemnizar a família. De recurso em recurso a Federação tem-se eximido a pagar aquilo a que a justiça a condenou. O que significa que a Federação apenas reconhece e aceita a justiça que passa pela cabeça oca do seu presidente. Que à custa de dinheiros alheios vive como um nababo, viaja nos aviões em classe executiva, hospeda-se em hoteis de luxo e é seguido por grupos de paquetes a carregarem-lhe as bagagens para que se não canse.
A Federação tem a mesma vergonha que lhe transmite o seu presidente e professa os mesmos princípios de honestidade, reforçados pela conduta do Presidente da Liga que acha que tudo é, no futebol nacional e à sua imagem, inatacável, transparente e exemplar. Ser português deixou há muito de ser uma fatalidade: é uma vergonha permanente que não tem nem emenda, nem solução. Fosse o Dr Gilberto Madail um homenzinho responsável, nem sequer seria necessário que fosse homem, mesmo com h minúsculo, e o assunto não andaria em bolandas, de tribunal em tribunal. Porque a Federação não pugna por justiça, - nenhuma vida é ainda avaliada em euros - mas fá-lo apenas pela fuga à responsabilidade e, linearmente, pelo roubo.
O que é grave no meio disto tudo é que este senhor foi reeleito no cargo porque o Artur Jorge
talvez fosse demasiado sério para satisfazer os apetites vorazes dos clubes que votaram no dr.
Gilberto. E continua-se a ouvir a frase que "o Estado é uma pessoa de bem", então não é, com
procedimentos destes em que se exime das suas responsabilidades por um acto destes, ou seja um
infeliz que escolhe ir assistir a um final da taça de Portugal e é mortalmente atingido e os seus familiares continuam a aguardar a indemnização a que têm direito é no mínimo absurdo.