Isso não impede que me questione cada vez com maior frequência sobre as motivações que levam políticos profissionais e desdobrarem-se por comentários nas televisões, intervenções nas emissoras de rádio e artigos nos jornais e revistas. Tanto mais que, como é público, nem o cargo de presidente de uma junta de freguesia é remunerado com o salário mínimo e, que me conste, em caso de doença não irá arrecadar os míseros cêntimos que o Dr Bagão reserva para os pobres.
Mas realmente o que acrescentam, em termos de mais valia, ao quotidiano da vida dos cidadãos - que somos nós todos! - os aparecimentos televisivos, pedantes e vaidosos, do Dr Pacheco, do Dr Santana, do Dr Carrilho ou do Eng Sócrates? E os chamados debates radiofónicos? E os artigos de jornal assinados, ridiculamente, pelo Dr Arnault, ministro? Não vão os leitores que o lerem, se os houver, equivocar-se e pensar que será um sósia da escrita ou um "clone" da figura.
Acabo, forçosamente, por concluir sempre da mesma maneira. Apesar dos ditos se auto-denominarem "opinion makers" que é, creio eu, uma expressão do dialeto barranquenho que deverá significar maqueiros de opinião. Em concorrência parcial com os bombeiros e o INEM. E é quase tão óbvio como as minhas convicções de início: é claro que os senhores políticos se masturbam, pelo prazer que isso lhes dá. Então não seria melhor dedicarem-se à internet, como o Dr Magalhães, e irem comprar o livro?
Concordo em absoluto com a sua opinião. Mas não culpo de todo esses mesmos políticos. Julgo que
no particular do comentador politico escolhido pelos "media", é culpa exclusiva das estações de
rádio e televisão que não sei bem qual o critério
de escolha acaba sempre por racair nas mesmas pessoas, como se efectivamente fossem eles os detentores de toda a ciência política e os restantes uma cambada de ignorantes.
Duvido da omnisciência e ubiquidade de quase todos os comentadores de serviço. Quase tenho a certeza que encomendam opiniões e ideias a ilustres subempreiteiros que lhes preparam a papinha toda.
Afixado por: OLima em dezembro 21, 2003 07:29 PMAs "opinion makers" deveriam antes ser rotuladas de “party makers” .
Não deveria ser admissível que um comentador político tivesse simultaneamente um cargo político no aparelho de estado ou num partido político. A deontologia política a isso deveria obrigar – mas esta palavra nem sequer existe nesta classe ( a política).
Por muito honesta que seja o comentador ele acaba inevitavelmente por expor as posições do partido. É certo que os comentadores “independentes” também reflectem a sua linha ideológica nos comentários, mas não é tão primária e propagandista.
“Quanto ao prazer que lhes dá?” Isso é evidente, a imagem e o destaque que recebem numa curta emissão de TV é maior que uma semana numa qualquer campanha eleitoral. Não é por acaso que o governo, os partidos, etc. quando pretendem dar destaque às suas declarações o fazem às 20.00h para fazer coincidir com o Telejornal e ter o povo a ver e ouvir em directo.
Os “TV makers” são a face visível da publicidade política.